VIDA, MORTE E RENASCIMENTO DO SER HUMANO

DO HUMANISMO MODERNO AO HUMANISMO COMPORTAMENTAL

Authors

DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i50.11120

Abstract

Este ensaio revisita o debate entre humanismo moderno e anti-humanismo com o objetivo de examinar a possibilidade de estabelecimento de um novo humanismo. Apresentamos a concepção de ser humano autônomo e desnaturalizado a partir do humanismo moderno. Indicamos que a crítica anti-humanista, catalisada pelas ciências humanas, atingiu parcialmente o cerne da concepção humanista. Mas, embora o anti-humanismo denunciasse o caráter ilusório da noção de autonomia humana, ele ainda preservou a ideia de um ser humano separado da natureza, reforçando a dicotomia entre as ciências naturais e as ciências humanas. Encontramos no relacionismo multidimensional de B. F. Skinner uma possibilidade do renascimento do ser humano. O que renasce, porém, não é o ser humano do humanismo moderno, pois nesse novo humanismo o ser humano não é desnaturalizado e suas atividades reflexivas e transformadoras se constituem intersubjetivamente e não isoladamente. Além disso, esse novo humanismo procura compreender o ser humano na relação transdisciplinar (e não dicotômica) entre diferentes ciências, ressuscitando as especificidades humanas na trindade antropológica espécie-indivíduo-sociedade, que constitui um mundo natural complexo governado por ordens vitais, individuais e socioculturais. Nesse novo humanismo, a condição humana define-se pela possibilidade de prospectar e gerar culturas e indivíduos sensíveis às diferentes vidas, humanas e não humanas, do presente e do futuro.

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Published

2024-12-04