PELOS RASTROS DA ARS EROTICA
NA GENEALOGIA DA SEXUALIDADE EM MICHEL FOUCAULT
DOI :
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i51.11323Résumé
A abordagem foucaultiana da sexualidade, especificamente, no contexto das aulas ministradas no Centro Universitário Experimental de Vincennes (1969), na formulação das heterotopias sexuais, indica se ligar ao volume introdutório da obra História da Sexualidade: a vontade de saber (1976) a partir do destaque de um contexto ético regulado pelos prazeres, a saber: a ars erotica. O panorama da arte erótica reportada por Foucault é apresentado como um espaço de contestação e contraponto histórico aos limites das classificações advindas da scientia sexualis, esta última vista como um campo de saberes que, em uma ordenação científica diante das questões do sexo, impôs-se como uma prática “insistente e indiscreta” a partir do final do século XIX. Portanto, o propósito deste artigo é examinar de que modo e até que ponto a ars erotica, a despeito de ser recorrentemente questionada pela inconsistência de sua efetividade histórica, figuraria antes como possibilidade de um espaço outro (heterotopia) de contestação ético-política que atravessou a obra de Foucault no que diz respeito às questões da sexualidade.
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