O CONCEITO DE PULSÃO NA PSICANÁLISE FREUDIANA: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DA FILOSOFIA DE MARTIN HEIDEGGER
DOI:
https://doi.org/10.13102/ideac.v0i0.3023Resumo
Na obra Seminários de Zollikon Heidegger afirma que Freud, ao conceber o psiquismo como um aparelho mobilizado por um jogo de forças pulsionais, alinha seu saber com o perfil explicativo das ciências da natureza. Ao destinar uma semântica fisicalista para pensar os fenômenos psíquicos, a exemplo do conceito de pulsão, a psicanálise freudiana estaria ancorada em procedimentos afinados aos das ciências naturais. Heidegger questiona o entendimento dos fenômenos humanos a partir deste tipo de semântica e indica que a sua compreensão de homem enquanto Dasein (ser aí) se opõe a este tipo de conceituação. O filósofo assevera que, ao postular a existência de uma força mobilizando a máquina psíquica, Freud estaria destinando ao homem categorias que são estrangeiras aos seus modos de existir. No texto Ansiedade e Vida Pulsional, Freud se refere à teoria das pulsões como sua mitologia e à pulsão como uma entidade mítica. Com este artigo, pretendemos colocar em discussão o conceito freudiano de pulsão, tendo em vista a posição de Heidegger quanto ao seu caráter científico-natural e o argumento de Freud que indica tratar-se de um conceito obscuro, de uma entidade mítica.