O COMPROMISSO DA FILOSOFIA COM A LIBERTAÇÃO
ELEMENTOS A PARTIR DE MARX E DUSSEL
DOI :
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i53.12258Mots-clés :
Libertação; América Latina; Marx; Dussel; Filosofia crítica.Résumé
O artigo analisa o compromisso da filosofia com a libertação a partir do diálogo entre Karl Marx e Enrique Dussel. Inicialmente, problematiza a neutralidade axiológica de Max Weber, contrapondo-a à concepção marxiana segundo a qual o ser social determina a consciência, evidenciando que as produções ideais são respostas situadas a conflitos históricos concretos. Marx compreende a filosofia como crítica radical das estruturas de dominação capitalista, destacando a centralidade da práxis do proletariado em sua própria emancipação. A partir desse ponto, Enrique Dussel amplia e radicaliza a perspectiva marxiana ao deslocar o foco da crítica para a realidade latino-americana, marcada pelo colonialismo, racismo, patriarcado e pela situação de dependência. A Filosofia da Libertação surge, então, como prática situada que parte da exterioridade das vítimas da modernidade capitalista, propondo uma crítica ético-política fundada na dignidade da vida. Influenciado por Paulo Freire, Dussel enfatiza o diálogo e a conscientização como instrumentos na luta contra a opressão, rejeitando tanto a neutralidade quanto soluções de caráter vanguardista. O texto conclui que tanto Marx quanto Dussel demonstram que não há filosofia neutra: toda produção teórica assume posição frente aos processos históricos, podendo reproduzir ou superar as estruturas de dominação.
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