HANNAH ARENDT, A QUESTÃO JUDAICA E A FORMAÇÃO DE UMA FILÓSOFA EM TEMPOS SOMBRIOS
DOI :
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i53.12516Mots-clés :
Hannah Arendt, Totalitarismo, Questão Judaica, Crise, Filosofia Política.Résumé
A partir das décadas de 1920 e 1930, Hannah Arendt desenvolveu um profundo interesse pela questão judaica, o que permitiu a emergência de uma filosofia política preocupada com as matrizes, os padrões e as origens do totalitarismo. Nesse sentido, ela entendeu que o projeto totalitário se diferencia de absolutamente todo modelo político existente, germinando na cisão e na crise da tradição filosófica ocidental com o agir político. Não obstante tenha debatido amplamente a questão com autores como Karl Jaspers, Gershom Scholem e Heinrich Blücher, a filósofa permaneceu fiel à sua postura, engajando-se politicamente em defesa dos direitos judeus. Neste texto, exploramos o surgimento de Hannah Arendt como uma filósofa política em tempos sombrios, apresentando como ela compreendeu o totalitarismo e suas implicações para a questão judaica. Recorremos fundamentalmente aos textos políticos da autora, além de referências biográficas e trabalhos que debatem propriamente o problema judaico em seu pensamento. Concluímos que a análise arendtiana da questão judaica foi um aspecto central de sua obra, o que possibilitou a abordagem do antissemitismo como ideologia política e os vínculos dos judeus com as instituições sociais e estatais. A filósofa não restringiu sua investigação ao contexto alemão, mas buscou expandir as suas arestas para outros campos, como o stalinismo soviético. A partir disso, a sua filosofia, firmada em um “pensamento sem corrimões”, propôs uma visão corajosa, clara e crítica sobre a realidade, enfocando a questão judaica como uma pergunta sobre o papel dos judeus na história e no combate aos totalitarismos.
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