GTOP SALVADOR – PROPOSTA DE GUIA TOPONÍMICO ONLINE, A PARTIR DO ESTUDO TOPONÍMICO DE BAIRROS SOTEROPOLITANOS

Autores

  • José Martins Abbade
  • Celina Márcia de Souza Abbade UNEB

DOI:

https://doi.org/10.13102/sitientibus.v2i66.12786

Resumo

O artigo apresenta uma proposta de tese de doutorado voltada ao estudo da toponímia urbana dos bairros de Salvador, com foco na análise onomástica dos nomes geográficos e suas motivações linguísticas, culturais, históricas e étnicas. O objetivo central é desenvolver o G-Top Salvador, um guia toponímico online que sistematize informações sobre bairros e comunidades da cidade. A pesquisa fundamenta-se na relação entre léxico, cultura e sociedade, entendendo os topônimos como elementos carregados de significado histórico e identitário. A partir da teoria de Dick, os nomes de lugares são analisados segundo classificações taxonômicas, evidenciando que a nomeação não é arbitrária, mas motivada por fatores sociais e culturais. O estudo também discute a evolução territorial de Salvador, que passou de 32 bairros (1960) para 171 (2024), destacando a dinâmica da toponímia urbana e suas implicações políticas e sociais. Casos como os bairros Beiru/Tancredo Neves e Calabar ilustram como os nomes podem refletir disputas simbólicas, processos históricos e preconceitos sociais. Metodologicamente, a pesquisa combina análise bibliográfica, documental e possível trabalho de campo, organizando os dados em fichas lexicográfico-toponímicas. Os resultados preliminares indicam uma baixa presença de topônimos de origem africana (cerca de 3%), revelando possíveis marcas de exclusão histórica e colonial na nomeação dos espaços urbanos. Conclui-se que a toponímia urbana é um instrumento relevante para a preservação da memória social e para a compreensão das identidades locais, além de desempenhar papel político na valorização ou invisibilização de grupos sociais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ABBADE, Celina Márcia de Souza. ATOBAH: proposta de elaboração do atlas toponímico da Bahia. Caletroscópio -Volume 4/ n. Especial- II DIVERMINAS, 2006,p.576-588 Disponível em

https://periodicos.ufop.br:8082/pp/index.php/caletroscopio/article/view/3681/2901 Acesso em 12 out. 2018.

ABBADE, José Martins. Água doce, o saber que vem das fontes: estudo toponímico de fontes na cidade do Salvador. Orientador: Celina Márcia de Souza Abbade. 2020. 127 p. Dissertação (Mestrado em Estudo de Linguagens) - Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens da Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2020.

AQUINO, C. 2007. Jornal Correio de 17jun2017, p.14.

BASSETTO, Bruno Fregni, Elementos de filologia românica. São Paulo: EDUSP, 2001.

CARVALHO, I. M. M. de; BARRETO, V. S. Segregação residencial, condição social e raça em Salvador. Cadernos Metrópole, [S. l.], n. 18, 2012. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/metropole/article/view/8737Acesso em: 13 jul. 2023.

CASTRO, Yeda Pessoa de. Falares africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras; Topbooks, 2005.

COELHO FILHO, Luiz Walter. A fortaleza do Salvador na Baía de Todos os Santos. Salvador: Secretaria de Cultura e Turismo, 2012.

CONCEIÇÃO, Fernando.Cala a boca, Calabar. Salvador:s/e, 1984/

DAMATTA, Roberto. Você tem cultura?Explorações: ensaios de sociologia interpretativa, Rio de Janeiro: Rocco, 1986, p. 121-128.

DICK, Maria Vicentina de Paula do Amaral. Rede de conhecimento e campo lexical: hidrônimos e hidrotopônimos na onomástica brasileira. In: ISQUERDO, Aparecida Negri; KRIEGER, Maria da Graça (Orgs.). As ciências do léxico. Lexicologia, Lexicografia, Terminologia. V. 2. Campo Grande: Editora UFMS, 2004. p. 121-130.

______. Os nomes como marcadores ideológicos. In: Acta Semiótica Linguística, João Pessoa/ Plêiade, v. 7, nº 01, p. 97-122, 1998.

______. Toponímia e antroponímia do Brasil: coletânea de estudos. 3. ed. São Paulo: Serviço de Artes Gráficas da FFLCH/USP, 1992.

______. Toponímia brasileira: os estudos que faltam. Toponímia e antroponímia no Brasil. Coletânea de estudos. 2. ed. São Paulo: FFLCH/USP, 1990b.

______.A motivação toponímica e a realidade brasileira. São Paulo: Edições Arquivo do Estado, 1990a.

______. Aspectos históricos de microtoponímia no Brasil. Revista de História, [S. l.], n. 116, p. 43-54, 1984

DURANTI, Alessandro. Antropología Linguística. Madrid: Cambridge University Press, 2000.

ISQUERDO, Aparecida Negri; DARGEL, Ana Paula Tribesse Patrício. Hidronímia e toponímia: interferências entre meio ambiente e história. In: ISQUERDO, Aparecida Negri; DAL CORNO, Giselle Olivia Mantovani (Org.). As ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. v. 7, Campo Grande: Editora UFMS, 2014. p. 63-80

SALVADOR. Prefeitura oficializa criação de sete novos bairros em Salvador. Secretaria de Desenvolvimento Urbano. 2020. Disponível em https://sedur.salvador.ba.gov.br/noticias/713-prefeitura-oficializa-criacao-de-sete-novos-bairros-em-salvador Acesso em 08 jul 2023.

SANTOS, Boaventura.Um discurso sobre as ciências. 5. ed. - São Paulo: Cortez, 2008.

SANTOS, Elizabete (et al.). O caminho das águas de Salvador: bacias hidrográficas, bairros e fontes. Salvador: CIAGS/UFBA; SEMA, 2010.

SAPIR, Edward. Língua e ambiente. In: Linguística como ciência. Ensaios. Tradução: Mattoso Câmara Jr. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1961.

SEABRA, M. Cândida Trindade Costa de. Língua, Cultura e Léxico. In: SOBRAL, Gilberto Nazareno, LOPES, Norma da Silva, RAMOS, Jânia Martins (Orgs.). Linguagem, sociedade e discurso. São Paulo: Blucher, 2015, p.65-84

______. Referência e Onomástica. In: MAGALHÃES, José Sueli de. II. TRAVAGLIA, Luiz Carlos (Org). Múltiplas perspectivas em Linguística, Uberlândia: EDUFU, 2008, p.1953-1960.

______.. ATEMIG Atlas Toponímico do Estado de Minas Gerais: variante regional do ATB. Múltiplas perspectivas em linguística: Anais do XI Simpósio Nacional e I Simpósio Internacional de Letras e Linguística (XI SILEL). Uberlândia: ILEEL, 2006, p. 1945-1952

______. A formação e a fixação da língua portuguesa em Minas Gerais. 2004. 2 v. Tese. (Doutorado em Linguística). FALE/UFMG. Belo Horizonte, 2004. 368p.

TUAN, Yi-fu. Topofilia.Um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: DlFEL, 1980.

VALS, Amparo Tusón. Prologo a la edición española. In Antropología Linguística. Alessandro Duranti. Madrid: Cambridge University Press, 2000. p. 7-10

Downloads

Publicado

2026-04-28

Como Citar

Martins Abbade, J., & de Souza Abbade, C. M. (2026). GTOP SALVADOR – PROPOSTA DE GUIA TOPONÍMICO ONLINE, A PARTIR DO ESTUDO TOPONÍMICO DE BAIRROS SOTEROPOLITANOS. Sitientibus, 2(66). https://doi.org/10.13102/sitientibus.v2i66.12786

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)