Uso e extrativismo de plantas medicinais pelos índios Fulni-ô no Nordeste do Brasil: implicações para a conservação local

Autores

  • Ulysses Paulino de Albuquerque
  • Gustavo Taboada Soldati
  • Shana Sampaio Sieber
  • Ernani Machado de Freitas Lins Neto
  • Jemerson Caetano de Sá
  • Liliane Cunha de Souza

DOI:

https://doi.org/10.13102/scb78

Resumo

Os objetivos deste estudo foram: caracterizar os conhecimentos e usos tradicionais de duas importantes
espécies medicinais nativas do Nordeste do Brasil, Myracrodruon urundeuva (aroeira) e Sideroxylon obtusifolium (quixaba);
analisar quantitativamente o processo de coleta de casca destas duas espécies; e avaliar a sua estrutura populacional na
Mata do Ouricuri, remanescente de floresta nativa e sagrada, reconhecida como um dos locais de coleta destes recursos. O
estudo foi realizado na Terra Indígena Fulni-ô (TIF), município de Águas Belas, Pernambuco. Este estudo fez parte de um
levantamento etnobotânico na TIF, sendo uma das linhas de ação do projeto “Estudos para a Sustentabilidade Ambiental
e Cultural do Sistema Médico Fulni-ô: Oficina de Manipulação de Plantas de Uso Medicinal”. Neste estudo, 344 entrevistas
semiestruturadas foram realizadas entre novembro de 2007 e março de 2008, utilizando-se uma amostra aleatória e
estratificada da população indígena da Aldeia Sede (incluindo apenas homens e mulheres com mais de 15 anos de idade). O
roteiro da entrevista considerou perguntas específicas sobre o conhecimento e uso dos parceiros da pesquisa em relação à
aroeira e quixaba. Para analisar a estrutura populacional e o nível de extração nas populações destas espécies usamos duas
técnicas complementares, a amostragem com 200 pontos quadrantes e o método do caminhamento, na mata do Ouricuri.
Nossos dados sustentam que a aroeira é amplamente conhecida pelos Fulni-ô, enquanto o quixaba é identificada por
poucas pessoas na comunidade. A casca é a principal parte da planta usada pela população indígena. Especificamente para
a aroeira, o tamanho da árvore é utilizado como um critério seletivo. Nenhuma das duas espécies exibe a estrutura
populacional em forma de J-invertido, típico de populações estáveis. Poucos indivíduos adultos foram amostrados,
possivelmente devido à extração seletiva de madeira que foca tais indivíduos. As duas espécies aqui estudadas também são
utilizadas para fins madeireiros, aumentando a pressão sobre suas populações. Finalmente, apesar do âmbito específico de nossos resultados, discutimos brevemente as suas implicações, tanto em nível local como em uma escala regional.

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Publicado

2012-03-27

Como Citar

de Albuquerque, U. P., Soldati, G. T., Sieber, S. S., Lins Neto, E. M. de F., de Sá, J. C., & de Souza, L. C. (2012). Uso e extrativismo de plantas medicinais pelos índios Fulni-ô no Nordeste do Brasil: implicações para a conservação local. SITIENTIBUS Série Ciências Biológicas, 11(2), 309–320. https://doi.org/10.13102/scb78

Edição

Seção

Artigos