Agentes nocivos para abelhas (Apis mellifera L.), segundo a percepção dos apicultores de Cáceres, Pantanal Norte, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.13102/scb8154Resumo
O uso da etnociência visando conhecer a percepção dos apicultores com relação aos agentes nocivos para as abelhas é de extrema importância para a otimização da apicultura. Foram realizadas 17 entrevistas semi-estruturadas, nos meses de março a abril de 2004, com membros da APIALPA (Associação dos Apicultores do Alto Pantanal) e com outros apicultores que possuem seu(s) apiário(s) no município de Cáceres-MT. As perguntas foram direcionadas para se conhecer os agentes nocivos ocorrentes nos apiários dessa região, além de dados sócio-econômicos e culturais dos apicultores para auxiliar em estudos posteriores. Observações em três apiários sobre a flora local e registros fotográficos também foram realizados. Os agentes nocivos citados foram classificados pelos apicultores em predadores, plantas tóxicas e parasitas. Os predadores citados (82,4%) foram formiga, tatu-canastra, pássaro, irara, sapo, aranha e o próprio homem. Com 41,2% de citações, os parasitas citados foram: varroa, cupim, vespas e outras abelhas, traça e mosquinha. Quanto às plantas tóxicas (65%), foram citadas o néctar de espatódea (Spathodea campanulata), os polens de barbatimão (Stryphnodendron adstringens) e do falso-barbatimão (Dimorphandra mollis). De acordo com os apicultores entrevistados, os agentes nocivos citados não apresentam grandes riscos na produtividade apícola de Cáceres e entorno. Neste trabalho, não foram mencionados doenças e uso de agrotóxicos como agentes causadores de malefícios para a apicultura da região de Cáceres, o que pode indicar uma boa qualidade aos produtos apícolas.
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