Serpentes de um fragmento urbano de Mata Atlântica: sobrevivendo ao concreto

Autores

  • Breno Hamdan
  • Daniela Pinto-Coelho
  • Pedro Tourinho Dantas
  • Rejâne Maria Lira-da-Silva

DOI:

https://doi.org/10.13102/scb217

Resumo

Embora pesquisas sobre riqueza, composição e conservação da herpetofauna na Mata Atlântica estejam concentradas em áreas grandes e protegidas, fragmentos pequenos e antropizados são importantes para a manutenção da diversidade α. Isso porque eles quase sempre constituem os únicos refúgios com hábitats favoráveis para as espécies nas cidades. Neste trabalho, apresentamos a riqueza e composição da ofidiofauna em uma pequena área florestada e urbanizada na cidade do Salvador, Bahia, pertencente à Universidade Federal da Bahia (UFBA), com enfoque na sua conservação. Além disso, levantamos hipóteses que ajudam a explicar os mecanismos que facilitariam a coexistência dessas espécies, mesmo diante de um intenso processo de fragmentação. A lista de espécies foi preparada com base nos registros do Museu de Zoologia da UFBA e do Livro de Registro do Núcleo Regional de Ofiologia e Animais Peçonhentos da Bahia (1987–2012). Baseado na literatura, cada táxon foi caracterizado em relação ao uso do ambiente, substrato, padrão de atividades e hábitos alimentares. Nove espécies pertencentes às famílias Boidae (Boa constrictor) e Colubridae (Helicops leopardinus, Liophis almadensis, L. miliaris, L. taeniogaster, Oxyrhopus trigeminus, Philodryas olfersii, Sibynomorphus neuwiedi e Tantilla melanocephala) foram inventariadas. A análise comparativa dos dados de hábitat e padrão de atividade das espécies estudadas sugere que a coexistência desses táxons no fragmento pode estar relacionada a diferentes combinações no uso de substrato e dieta. Liophis almadensis (jararaquinha-falsa) e B. constrictor (jiboia) apresentaram maior abundância relativa e foram as únicas espécies registradas entre 2010–2012, o que sugere que parte da ofidiofauna registrada ao longo dos últimos 14 anos pode estar localmente extinta. A observação é ainda mais crítica porque este período coincide com a supressão de quase todos os fragmentos de mata atlântica remanescentes na área de estudo para modernização e expansão da universidade.

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Publicado

2013-07-27

Como Citar

Hamdan, B., Pinto-Coelho, D., Dantas, P. T., & Lira-da-Silva, R. M. (2013). Serpentes de um fragmento urbano de Mata Atlântica: sobrevivendo ao concreto. ITIENTIBUS Série iências Biológicas, 13. https://doi.org/10.13102/scb217

Edição

Seção

Artigos