Representações dos proprietários e funcionários de fazendas sobre as mudanças e conservação da vegetação ciliar às margens do rio São Francisco, Nordeste do Brasil

Autores

  • Taline Cristina da Silva
  • Marcelo Alves Ramos
  • Ivan André Alvarez
  • Lúcia Helena Piedade Kiill
  • Ulysses Paulino de Albuquerque

DOI:

https://doi.org/10.13102/scb75

Resumo

No Brasil, foi marcante a ocupação de grupos humanos em áreas com potencial hídrico elevado para o
desenvolvimento da agricultura irrigada. Neste contexto, inseri-se o rio São Francisco, que vem passando por constantes
mudanças em relação à sua cobertura vegetal original. O presente estudo buscou responder as seguintes perguntas: Como
fazendeiros e funcionários representam as possíveis mudanças da vegetação ciliar ao longo do tempo? Quais os eventos
históricos responsáveis por essas possíveis mudanças? Como os fazendeiros e funcionários representam os aspectos
relacionados às utilidades e à conservação da vegetação ciliar? Um total de 17 homens e oito mulheres, proprietários e
funcionários de áreas próximas à vegetação ripária em cinco municípios dos estados da Bahia e Pernambuco, participaram
da pesquisa. Entrevistas semiestruturadas e entrevista semiestruturada do tipo projetiva foram empregadas para investigar
as representações sobre conservação da mata ciliar e mudanças locais da paisagem, bem como resgatar os eventos históricos
que as influenciaram. Com o objetivo de registrar o conhecimento local sobre a diversidade de espécies úteis mais importantes
foi utilizada a técnica de lista livre. Em relação às modificações da paisagem verificou-se que apenas um entrevistado
afirmou não haver mudanças na vegetação ciliar, seis afirmaram que houve mudanças para pior e quatro para melhor.
Quatro proprietários responderam que as mudanças na vegetação iniciaram há 10 anos, seis há mais de 30 anos, dois não
sabiam e um não verificou mudanças. Entre os funcionários, cinco afirmaram que elas ocorreram há mais de 20 anos, quatro
há mais de 10 anos e para quatro deles a vegetação não mudou. Observou-se que todos os informantes concordaram que a
vegetação deve ser conservada, sendo que 64% destacaram que ela protege o rio e os outros 36% indicaram outras
utilidades para a vegetação ciliar, tais como: atrair chuva, fazer sombra, usos medicinais e aumentar a quantidade de
oxigênio. Sobre quem seriam os responsáveis pela conservação: 48% disseram que eram os próprios proprietários de
terras, 48% afirmaram que era dever de todos conservar e 4% atribuíram a responsabilidade ao IBAMA. Eles também
apontaram soluções para a conservação da vegetação ripária, como o reflorestamento (39%), não desmatar (17%), educação
ambiental (13%) e cuidar bem (13%). Futuros projetos de restauração que podem vir a ocorrer nessa área devem levar em
consideração essas diferentes representações, demandas e expectativas.

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Publicado

2012-03-27

Como Citar

da Silva, T. C., Ramos, M. A., Alvarez, I. A., Piedade Kiill, L. H., & de Albuquerque, U. P. (2012). Representações dos proprietários e funcionários de fazendas sobre as mudanças e conservação da vegetação ciliar às margens do rio São Francisco, Nordeste do Brasil. SITIENTIBUS Série Ciências Biológicas, 11(2), 279–285. https://doi.org/10.13102/scb75

Edição

Seção

Artigos