Uma análise biométrica de bivalves coletados por marisqueiras no manguezal de Acupe, Santo Amaro, Bahia: uma abordagem etnoconservacionista

Autores

  • Viviane Souza Martins Laboratório de Etnobiologia, Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Feira de Santana, Km 03, BR 116, Campus Universitário, Caixa Postal 252-294, 44.031-460, Feira de Santana, Bahia, Brasil.
  • Francisco José Bezerra Souto Laboratório de Etnobiologia, Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Feira de Santana, Km 03, BR 116, Campus Universitário, Caixa Postal 252-294, 44.031-460, Feira de Santana, Bahia, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.13102/scb8155

Resumo

Os Manguezais estão entre as áreas alagadiças mais importantes da faixa tropical e constituem um dos tipos de ecossistemas mais produtivos do planeta. Além de desempenharem funções ecológicas importantes, esses ecossistemas representam a principal fonte de renda e subsistência para inúmeras comunidades pesqueiras tradicionais, como a comunidade de Acupe (Santo Amaro, Bahia). Com base na informação de que marisqueiras do distrito de Acupe selecionavam os indivíduos maiores para a captura, foram realizadas entrevistas estruturadas com mulheres contactadas ad libitum. A estas pessoas, foram apresentados mostruários contendo conchas de diversos tamanhos de “ostra” (Crassostrea rhizophorae) e “bebe-fumo” (Anomalocardia brasiliana) para que fossem indicados os tamanhos coletados durante a atividade, bem como as motivações que levavam a selecionar os indivíduos de determinado tamanho. Todas as entrevistadas demonstraram coletar A. brasiliana a partir do terceiro tamanho amostrado (20 mm de comprimento), que corresponde àquele no qual a espécie começa a se reproduzir. No que se refere à seleção de “bebe-fumo”, as motivações ecológica e econômica obtiveram o mesmo número de respostas (37,3%). De acordo com os resultados, a mariscagem da ostra ainda imatura sexualmente ocorre, porém numa proporção pequena. A maior parte das marisqueiras afirmou que prefere coletar indivíduos de C. rhizophorae acima de 50 mm de comprimento. Um percentual ligeiramente maior de pessoas (38%) afirmou selecionar indivíduos grandes por razões econômicas. Os resultados sugerem que há uma prática etnoconservacionista na coleta da “ostra” e do “bebe-fumo” no manguezal de Acupe, uma vez que os indivíduos jovens parecem ser poupados pela maior parte das coletoras, o que permite a reprodução das espécies e, por conseguinte, a renovação dos estoques naturais.

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Publicado

2006-03-31

Como Citar

Martins, V. S., & Souto, F. J. B. (2006). Uma análise biométrica de bivalves coletados por marisqueiras no manguezal de Acupe, Santo Amaro, Bahia: uma abordagem etnoconservacionista. SITIENTIBUS Série Ciências Biológicas, 6(Especial), 98–105. https://doi.org/10.13102/scb8155

Edição

Seção

Artigos