Uma revisão sobre interações tróficas e suas implicações para o controle biológico de artrópodes pragas em agroecossistemas

Autores

  • Evandro Nascimento Silva Universidade Estadual de Feira de Santana, Departamento de Ciências Biológicas, BR 116, Km 3, Campus Universitário, 44031-460, Feira de Santana, Bahia, Brazil.

DOI:

https://doi.org/10.13102/scb8197

Resumo

Nas últimas quatro décadas, tem havido um considerável interesse em compreender o papel da dinâmica de cadeias tróficas na manutenção da produtividade primária de plantas. Este tópico é particularmente importante em agroecossistemas, onde o ataque de herbívoros pode reduzir a produtividade e causar severas perdas econômicas. A hipótese de que inimigos naturais regulam indiretamente a produtividade das plantas através da supressão das populações de herbívoros (controle top-down ou hipótese das cascatas tróficas) tem sido a abordagem clássica utilizada por usuários do controle biológico e ecólogos interessados neste tema. Esta hipótese tem se mostrado controversa, pois evidências empíricas demonstram que interações interespecíficas entre inimigos naturais no terceiro nível trófico podem romper o efeito topdown responsável pela supressão de herbívoros e pelos benefícios indiretos para a produtividade das plantas. A predação intraguilda é um processo ecológico importante que pode reduzir potencialmente o controle top-down e contribuem para reduzir a produtividade das plantas devido ao ataque dos herbívoros que escapam do controle dos inimigos naturais. Assim, quando se objetiva o desenvolvimento de programas de controle biológico com várias espécies de inimigos naturais no terceiro nível trófico, é importante escrutinar alguns atributos desejáveis de inimigos naturais que competem pelo mesmo recurso (uma praga alvo). Quando tanto predadores como parasitóides estão presentes, os predadores são desejáveis apenas se eles forem capazes de evitar alimentar-se de hospedeiros parasitados, a fim de que as populações de parasitóides não sejam reduzidas. Quando apenas predadores estão presentes, atributos como mobilidade, tamanho do corpo, estratégia de forrageamento, nível de especialização alimentar e composição das assembléias de espécies devem ser cuidadosamente investigados. Esses atributos biológicos estão relacionados à prevalência e intensidade da predação intraguilda, à escolha e número de espécies a serem usadas no programa e à escolha dos estágios de desenvolvimento dos inimigos naturais a serem liberados no campo. A observação desses parâmetros e dos critérios de decisão deve ser considerada crucial para o sucesso de programas de controle biológico.

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Publicado

2006-12-31

Como Citar

Silva, E. N. (2006). Uma revisão sobre interações tróficas e suas implicações para o controle biológico de artrópodes pragas em agroecossistemas. SITIENTIBUS Série Ciências Biológicas, 6(4), 317–323. https://doi.org/10.13102/scb8197

Edição

Seção

Artigos