Até quando o etnoconhecimento sobre as abelhas sem ferrão (Hymenoptera, Apidae, Meliponinae) será transmitido entre gerações pelos índios Guarani M’byá da Aldeia Morro da Saudade, localizada na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, Brasil?
DOI:
https://doi.org/10.13102/scb8201Resumo
Desde 1542, os índios Guarani são etnografados como conhecedores dos insetos, incluindo várias práticas alimentares, medicina local e costumes religiosos. A presente pesquisa discorre sobre o conhecimento etnobiológico dos índios Guarani-m’byá sobre as abelhas sem ferrão. O estudo se deu na “Área Indígena Guarani da Barragem” Aldeia Morro da Saudade, localizada na periferia da cidade de São Paulo, Brasil, entre 2002 e 2004. O levantamento dos dados se fez observando o comportamento da comunidade e etnografando-o, seguindo-se entrevistas livres e semi-estruturadas aplicadas a vários indivíduos, identificando-se os informantes-chave. Deu-se ênfase aos seguintes aspectos descritivos: distribuição, nidificação, sazonalidade, dispersão, hábitat, ecologia, reprodução, morfologia e etologia, manejo e práticas de manipulação para extração de produtos, acondicionamento e semidomesticação de espéciesdas abelhas sem ferrão. Constatou-se que o conhecimento sobre abelhas sem ferão é transmitido entre as gerações, principalmente de pai para filho, oralmente, por observação e tentativa de acerto e imitação, onde dois grupos são conhecidos: abelhas e vespas. O primeiro subdivide-se em abelhas sem ferrão, com 13 etnoespécies, e abelhas com ferrão, com sete etnoespécies. O grupo das vespas reúne cinco etnoespécies. O conhecimento sobre esses insetos é compartilhado entre os membros da comunidade, mas está presente com maior relevância entre os especialistas.
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