O “louva-a-deus-de-cobra”, Phibalosoma sp. (Insecta, Phasmida), segundo a percepção dos moradores de Pedra Branca, Santa Terezinha, Bahia, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.13102/scb8209Resumo
Este artigo discute como os habitantes do povoado de Pedra Branca, localizado no estado da Bahia, nordeste do Brasil, percebem e se relacionam com os bichos-pau (Insecta, Phasmida). Parte dos dados foi obtida em um dia de trabalho de campo realizado em maio de 2004 através de entrevistas semi-estruturadas com 12 crianças e adolescentes, cujas idades variaram dos 5 aos 17 anos. A estes dados foram acrescentados aqueles obtidos de fevereiro a maio de 2001 por meio de entrevistas semi-estruturadas realizadas com 25 homens e 26 mulheres, cuja faixa etária variou de 24 a 82 anos. Os resultados mostram que os indivíduos costumam reunir insetos de três táxons diferentes (Phasmida, Mantodea e Tettigoniidae) sob o rótulo “louva-a-deus-de-cobra”. Os entrevistados forneceram informações sobre etnotaxonomia, comportamento, ontogenia, morfologia, habitat e ecologia trófica do bicho-pau. O conhecimento local mais marcante relacionado com esses insetos se refere a sua biotransformação ou processo metamórfico, onde se acredita que eles se originam de plantas e depois “se transformam” em cobras conhecidas localmente como “cobra-de-cipó”. Conclui-se que a metamorfose do bicho-pau resulta importante no modo como os indivíduos compreendem e se relacionam com esse inseto.
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