“Grilos” (Orthoptera) na percepção dos moradores de Feira de Santana, Bahia
DOI:
https://doi.org/10.13102/scb8220Resumo
O presente estudo visa registrar o modo como grilos são percebidos pelos moradores do município de Feira de Santana, Bahia, descrevendo sua história natural a partir dos conhecimentos tradicionais e identificando o significado semiótico e os possíveis usos culturais. Os dados foram obtidos de junho a novembro de 2004 mediante utilização de técnicas padronizadas de registro etnográficos. Foram feitas entrevistas semi-estruturadas com 69 homens e 194 mulheres, cujas idades variaram de 7 a 79 anos. As entrevistas seguiram um roteiro baseado em uma lista de tópicos previamente escolhidos. As informações foram registradas por escrito e em fitas micro-cassetes, com o consentimento dos entrevistados. O que os moradores osmoradores entenderam por “grilos” abrangeu desde grilos sensu estrito (Orthoptera: Gryllidae), gafanhotos (Orthoptera: Acrididae) e esperanças (Orthoptera: Tettigoniidae), até louva-deus (Mantodea), besouros (Coleoptera), pernilongos (Diptera), insetos (Insecta), “pragas” e “animais”. A percepção, por parte dos moradores, dos grilos foi determinada pela dimensão afetiva que os moradores apresentaram para com estes insetos. Em geral, os sentimentos, acompanhados sempre de impressões positivas ou negativas, interferiram tanto na qualidade quanto na quantidade das informações. Foram registrados dados cognitivos sobre etnotaxonomia, sazonalidade, comportamento, ecologia trófica e hábitat. No que se refere à etnotaxonomia, seis tipos de “grilos” foram determinados pelos entrevistados. Registrou-se também o papel desempenhado pelo grilo na medicina popular, na alimentação humana e em atividades lúdicas. Conclui-se que o conhecimento etnoentomológico dos munícipes de Feira de Santana e sua interação com “grilos” são mediadas culturalmente.
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