A intertextualidade como estratégia de demonstração de repertório sociocultural em redações do Enem

Autores

  • Allice Toledo UFG
  • Lavínia Eugênio Cirqueira Silva UFG

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v25i3.10147

Palavras-chave:

Intertextualidade, Redação do Enem

Resumo

 O presente trabalho se dedica a analisar a presença do recurso da intertextualidade em duas redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), correspondentes aos anos de 2021 e 2022, e como ela implica no critério de demonstração de repertório sociocultural, demandado pela avaliação. Para tanto, vale-se da concepção de texto e de intertextualidade propostos pelos estudos de Fávero e Koch (2012), Koch (2022), Koch, Bentes e Cavalcante (2012) e Marcuschi (2008), nomes relevantes da Linguística Textual. A pesquisa se fundamenta nesta área da Linguística e busca estabelecer relações entre os conceitos citados, a perspectiva encontrada nas orientações do Inep, organização responsável pelo Enem, e, sobretudo, a realidade dos textos produzidos pelos estudantes. A avaliação exige, na competência 2 apresentada pela “Cartilha do Participante”, a utilização de referências que colaborem com os argumentos defendidos durante o texto. E, para atender a esse critério, os estudantes recorrem à intertextualidade. Além de ser um fator decisivo para o desenvolvimento de textos coerentes, ela pode ser usada para alcançar este objetivo, sobretudo a intertextualidade stricto sensu, a qual é o foco desta pesquisa. Neste sentido, de acordo com o resultado das análises, os participantes não apenas fazem uso desse recurso, como demonstram a partir dos intertextos, capacidade de argumentação, autoria e um uso estratégico das vozes sociais que os atravessam.

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Publicado

2024-12-30

Como Citar

Toledo, A., & Eugênio Cirqueira Silva, L. (2024). A intertextualidade como estratégia de demonstração de repertório sociocultural em redações do Enem. A Cor Das Letras, 25(3). https://doi.org/10.13102/cl.v25i3.10147