Metamorfoses intermidiáticas da literatura de cordel: das urdiduras do imaginário popular às ressignificações em narrativas contemporâneas
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v25i2.10581Palavras-chave:
Folhetos de cordel, Plasticidade cultural, Imaginário popular, IntermidiallidadeResumo
Concebida por vozes da tradição oral, a literatura de cordel é expressão da cultura popular nordestina, apresentando-se como manifestação linguístico-literária que suscita a convergência de símbolos das diversas culturas com símbolos da experiência cotidiana do povo da região. Diante disso, o estudo se volta para o caráter intertextual, híbrido e de plasticidade cultural (AUTOR, 2017) que atravessa fronteiras intermidiáticas e assinala um lugar fecundo para analisar fenômenos do imaginário popular na literatura de cordel. Com base numa pesquisa exploratória, descritiva, bibliográfica e documental, investiga: i) como os folhetos de cordel, do arranjo multimodal das imagens de capa à construção narrativa, fazem-se objetos de linguagem de uma prática social que produz e faz circular efeitos de sentido ligando a humanidade aos fenômenos históricos e culturais do mundo, e ainda ii) de que modo se arquitetam os fenômenos de metamorfose/plasticidade em torno dessa arte popular. Toma-se como estudo de caso o cordel O Romance do Pavão Misterioso, narrativa poética do paraibano José Camelo de Melo Rezende (1885-1964). Para tanto, o estudo dialoga com pressupostos teóricos que transitam pelos estudos culturais e de tradição oral (ZUMTHOR, 1993; 2000; 2005), por práticas dialógicas e interartes (BAKHTIN, 2016; CLÜVER, 2007; RAJEWSKI, 2012), pela cultura dos folhetos de cordel, tendo em vista uma abordagem Semiótica Antropológica (AUTOR, 2011), a partir de um viés simbólico-antropológico (DURAND, 2002; JUNG, 2014; 2016) que concilia o imaginário e os símbolos nos processos de significação textual. Por meio das análises efetuadas, a pesquisa evidencia que a literatura de cordel se manifesta como aparato singular de movência e manutenção das vozes e escrituras do imaginário da cultura que representa (AUTOR, 2011). Além disso, concede status de valor cultural para uma diversidade de produções artísticas, à medida que abre espaço para a assimilação/apropriação/incorporação de outras criações, possibilitando sua continuidade e atuação/atualização como importante prática social e midiática do povo brasileiro.
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