Literatura bicha, mercadoria e fetiche: notas para uma crítica materialista da razão literária
Palavras-chave:
Discurso sexo-gendrado, Aparelhos ideológicos, EEpistemologias dissidentes, Crítica materialistaResumo
Este texto tensiona a noção de “literatura LGBT+ brasileira” como categoria identitária, disciplinar e mercadológica, interrogando seus efeitos de legitimação e exclusão a partir de uma perspectiva materialista. O ensaio se posiciona contra a sacralização do literário enquanto instância neutra ou autônoma, compreendendo-o como dispositivo da aparelhagem ideológica e afetiva do capital. Mobilizando uma crítica althusseriana do literário como tecnologia de reprodução da forma-sujeito, propõe-se o deslocamento da discussão sobre “literatura LGBT+” para a análise do discurso ficcional sexo-gendrado, reconhecendo sua função na constituição de campos de visibilidade e regimes de enunciabilidade. Entre memórias de oralidade e disputas conceituais, o texto reivindica o silêncio como herança proletária e a escrita como gesto de guerrilha simbólica, denunciando o funcionamento ritualístico da literatura como instituição que opera pela exclusão e domesticação da dissidência. Em vez de uma catalogação de obras ou autores, defende-se aqui o trabalho com a opacidade, a impropriedade e a contradição como táticas epistemológicas dissidentes, capazes de confrontar as hierarquias de saber e os dispositivos afetivo-ideológicos que sustentam a imaginação burguesa. Contra a esperança domesticadora, propõe-se uma escrita como máquina de fazer calar, não para silenciar, mas para suspender os discursos autorizados e abrir espaço para outras formas de escuta e existência.
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