A Trajetória da viúva heroica, silêncios, luto e protesto na ditadura chilena

Autores

  • Evandro Figueiredo Candido Universidade Federal de Lavras

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v26i2.11951

Palavras-chave:

Ditadura. Chile. Carmen Castillo. Memória.Testemunho

Resumo

Este artigo analisa a obra da cineasta, escritora e militante chilena Carmen Castillo, cuja produção é atravessada pelo exílio, pela repressão das ditaduras latino-americanas e pelas lutas revolucionárias. Sua criação artística articula vivências pessoais a acontecimentos históricos, entrelaçando memória, história e resistência. O foco da análise é o livro Santiago-Paris: le vol de la mémoire (2002) - Santiago-Paris: o voo da memória, escrito por Carmen em coautoria com sua mãe, Mónica Echeverría. Com forte caráter testemunhal, a obra alterna as vozes das autoras, mesclando a trajetória familiar aos eventos políticos do Chile no século XX. Destaca-se especialmente o capítulo “Courir fut notre destin” - correr foi nosso destino -, que expõe os impactos emocionais da fuga de Carmen Castillo após a morte de seu companheiro, além de seu luto, seu exílio e sua condição de figura secundária diante de uma memória revolucionária que a silencia. A análise fundamenta-se em Didi-Huberman (2002), com a noção de resistência no luto; Rosa (2013), ao discutir o modelo universal do militante; Rollemberg (1999), com a ideia de exílio como espaço ambivalente; e Sarlo (2006), quanto à centralidade do testemunho em contextos ditatoriais. Dialoga-se, ainda com Costa (1980), cujo livro traz experiências femininas no exílio. O artigo sustenta que, apesar da dor e da perda, Carmen Castillo transforma o sofrimento em gesto político, fazendo do luto um ato de resistência e preservação da memória.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Referências

CASTILLO, Carmen. Un Jour d’Octobre à Santiago. Paris: Éditions Bernard Barrault, 1988.

COSTA, Albertina de Oliveira; MORAES, Maria Teresa Porciuncula; MARZOLA, Norma; LIMA, Valentina da Rocha. Memórias das Mulheres do Exílio. Vol 2. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.

DIDI-HUBERMAN, Georges. “Protestation de femmes ou comment soulever le politique”. In: Ninfa dolorosa. Paris: Gallimard, 2002, p. 193-238.

ECHEVERRÍA, Mónica; Castillo, Carmen. Santiago-París: le vol de la mémoire. Paris: Plon, 2002.

ROLLEMBERG, Denise. Exílio: entre Raízes e Radares. Rio de Janeiro: Editora Record, 1999.

ROSA, Susel Oliveira da. Mulheres, ditaduras e memórias: não imagine que precise ser triste para ser militante. São Paulo: Intermeios; Fapesp, 2013.

SIMÕES, Silvia Sônia. O Golpe de Estado e a primeira fase da Ditadura militar no Chile. Espaço Plural, vol. XIII, núm. 27, 2012. Disponível em: <http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=445944369014> Acesso em: 21/09/2022.

SÓFOCLES. Édipo Rei - Antigona. São Paulo: Martin Claret Editora, 2007.

TODOROV, Tzvetan. Los abusos de la memoria. Trad. Miguel Salazar. Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica S.A, 2008.

VOVELLE, M. A história dos homens no espelho da morte. In: BRAET, H.; VERBEKE, W. A morte na Idade Média. Trad. Heitor Megale. São Paulo: Edusp, 1996, p. 11-26.

Downloads

Publicado

2026-03-08

Como Citar

Figueiredo Candido, E. (2026). A Trajetória da viúva heroica, silêncios, luto e protesto na ditadura chilena. A Cor Das Letras, 26(2). https://doi.org/10.13102/cl.v26i2.11951