Pensamento negro e desobediência epistêmica: estratégias de insurgência em “Águas Turvas, Turbulentas”
Mots-clés :
Epistemologias dissidentes. Literatura negro-brasileira. Desobediência epistêmica. Oralidade e linguagem insurgente. Pensamento negro.Résumé
Neste artigo, analisa-se o conto “Águas Turvas, Turbulentas”, da coletânea Nas águas desta baía há muito tempo (2017), de Nei Lopes, à luz do pensamento negro e da desobediência epistêmica como práticas de insurgência literária. Partindo do conceito de epistemologias dissidentes, propõe-se a leitura do conto como forma de ruptura com os regimes coloniais de linguagem e representação, por meio de uma estética fundada na oralidade, na ancestralidade africana e na subversão do cânone literário branco-ocidental. A narrativa, ancorada em vozes e memórias negras, convoca uma reconfiguração da subjetividade a partir de línguas africanas, referências míticas e figuras marginalizadas como agentes da história. Com base em autores como Walter Mignolo, Frantz Fanon, Cuti e Grada Kilomba, argumenta-se que a literatura de Nei Lopes realiza um gesto estético-político que reposiciona o negro como sujeito epistêmico, ampliando os limites do literário e instaurando uma linguagem insurgente. A análise demonstra como a escrita de Nei Lopes encarna a literatura-que-pensa (proposta pela chamada desta revista): pois, ao mesmo tempo em que narra, produz pensamento crítico, desafia normatividades coloniais e afirma outras formas de conhecimento, existência e imaginação coletiva.
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