Pensamento negro e desobediência epistêmica: estratégias de insurgência em “Águas Turvas, Turbulentas”

Authors

  • Dias Dezoito Saracuchepa Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)
  • Inara de Oliveira Rodrigues Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)

Keywords:

Dissident epistemologies. Afro-Brazilian literature. Epistemic disobedienc. Orality and insurgent language. Black thought

Abstract

This article analyzes the short story “Águas Turvas, Turbulentas”, from Nei Lopes’s collection Nas águas desta baía há muito tempo (2017), through the lens of Black thought and epistemic disobedience as literary practices of insurgency. Grounded in the concept of dissident epistemologies, the reading explores the story as a rupture with colonial regimes of language and representation, articulated through an aesthetic rooted in orality, African ancestry, and the subversion of the white-Western literary canon. Anchored in Black voices and memories, the narrative calls for a reconfiguration of subjectivity through African languages, mythical references, and marginalized figures as historical agents. Drawing on theorists such as Walter Mignolo, Frantz Fanon, Cuti and Grada Kilomba, the article argues that Nei Lopes’s literature enacts an aesthetic-political gesture that repositions the Black subject as an epistemic agent, expanding the boundaries of the literary field and establishing an insurgent language. The analysis demonstrates how Nei Lopes’s writing embodies the notion of literature-that-thinks (as proposed in the journal’s call): a text that not only tells a story but also produces critical thought, challenges colonial norms, and affirms alternative ways of knowing, existing, and imagining collectively.

Downloads

Download data is not yet available.

Metrics

Metrics Loading ...

Author Biographies

Dias Dezoito Saracuchepa, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagens e Representações, da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC (Ilhéus, Bahia-Brasil). Bolsista do Programa GCUB-Mob (Moçambique). Integrante do Grupo de Pesquisa Literatura, História e Cultura: Encruzilhadas Epistemológicas (CNPq-UESC). E-mail: saracuchepad18@gmail.com.

Inara de Oliveira Rodrigues, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)

Professora Titular do Curso de Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC. Docente permanente do PPGL: Linguagens e Representações da UESC. Líder do Grupo de Pesquisa Literatura, História e Cultura: Encruzilhadas Epistemológicas (CNPq/UESC). E-mail: iorodrigues@uesc.com.

References

ASANTE, Molefi Kete. Afrocentricidade: a teoria da revolução social. Tradução Ana Monteiro-Ferreira, Ama Mazama e Ana Lucia. Philadelphia: Afrocentricity International, 2014.

CUTI. Literatura negro-brasileira: uma introdução. São Paulo: Selo Negro, 2010.

EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, 2017.

FINNEGAN, Ruth. Oral literature in Africa. Cambridge: Open Book Publishers, 2012.

GILROY, Paul. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: 34, 2001.

GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2006.

GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, n. 92/93, p. 69–82, 1988.

hooks, bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. Tradução: Heci Regina Candiani. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019.

JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Tradução: Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

LOPES, Nei. Nas águas desta baía há muito tempo: contos da Guanabara. Rio de Janeiro: Record, 2017.

LOPES, Nei. Conversando sobre Mandingas da mulata velha na cidade nova. [Entrevista concedida a] Rafael Gomide Martins. Portal Literafro, UFMG. Disponível em: https://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/343-nei-lopes

MAPERA, Martins. Realismo e lirismo em Terra sonâmbula, de Mia Couto, e Chuva braba, de Manuel Lopes. 2013. Tese (Doutorado em Estudos Culturais) – Universidade de Aveiro, Departamento de Línguas e Cultura, Portugal, 2013.

MIGNOLO, Walter D. Estética decolonial: entre o saber e o sentir. In: WALSH, Catherine (org.). Pensamento crítico e matriz (de)colonial: referências em disputa. São Paulo: Vozes, 2009. p. 139-172.

NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectiva, 1989.

OKPEWHO, Isidore. African oral literature: background, character, and continuity. Bloomington: Indiana University Press, 1992.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117-142.

TENÓRIO, Jeferson. O avesso da pele. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019.

WALSH, Catherine. Interculturalidade e colonialidade do poder: um diálogo crítico. In: WALSH, Catherine; CANDAU, Vera (org.). Pensamento social e epistemologias do Sul. Rio de Janeiro: Vozes, 2009. p. 21-44.

Published

2025-12-22

How to Cite

Saracuchepa, D. D., & Rodrigues, I. de O. (2025). Pensamento negro e desobediência epistêmica: estratégias de insurgência em “Águas Turvas, Turbulentas”. A Cor Das Letras, 26(Especial), 46–56. Retrieved from https://periodicos.uefs.br/index.php/acordasletras/article/view/11953

Issue

Section

Dossiê temático: Literatura e Epistemologias dissidentes