Caliban no divã: a Psicologia da colonização de Mannoni e a resposta decolonial de Frantz Fanon
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Caliban, Mannoni, Fanon, Epistemologias decoloniaisRésumé
O presente artigo analisa o personagem Caliban, de Shakespeare, presente em A Tempestade (1611), por meio de duas visões: a colonizadora do francês Mannoni (1990) e a epistemologia contracolonizadora do martinicano Fanon (2008). Inicialmente, aborda o personagem-conceito shakespeariano para além da visão eurocêntrica, retomada e revista pelo escritor cubano Roberto Retamar em seu célebre ensaio escrito em 1971, que repocisiona Caliban como aquele que rompe com seus grilhões coloniais. Tal e qual Retamar, Frantz Fanon, em Pele negra, máscaras brancas (1952), surge como voz a criticar as ideologias colonizadoras de Octave Mannoni em Psicologia da colonização (1950) – mais tarde também publicado como Próspero e Caliban (1956). À luz das correntes decoloniais, Fanon rechaça o “Complexo de Próspero” assertido por Mannoni, relendo e restabelecendo parâmetros contrários ao Complexo de Inferioridade proposto pelo autor francês, que entende o colonizador como superior, o “civilizado” frente ao colonizado. Fazendo coro a Fanon, Bhabha (1998) surge aqui a apregoar o hibridismo cultural nos estudos sobre a alteridade entre os sujeitos e seus lugares no mundo.
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