Julio Cortázar: de pontes e duplos. Uma alegoria da tradução

Autores

  • Cristina Santoro UFBA

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v20i3.3571

Resumo

Em quase toda a obra de Julio Cortázar percebe-se uma particularidade: o duplo. Paris x Buenos Aires, o rio de La Plata x o rio Sena, as pontes, um lado e outro das margens dos rios e do oceano que separam lugares de vivência do autor e que se tornam as chamadas “dos orillas”. O duplo, em Cortázar, adota diversas manifestações – espelhos, reflexos, imagens, visões – e o tema do desdobramento deriva de vivências do autor. O duplo, figura central de nossas reflexões, temática presente nos estudos literários e nas abordagens psicanalíticas rankianas, freudianas e lacanianas, pode ser aplicado ao ato tradutório, na medida em que muitos esperam do texto traduzido a construção de uma imagem apenas especular, esquecendo “o duplo” que todo ser (texto) carrega na sua essência mais profunda: um duplo que precede. Outros, no entanto entendem a tradução como ponte entre línguas e linguagens: de um ser para um outro, de uma margem para a outra, de um texto de partida (o ‘original’) para o seu texto duplo, o texto traduzido. A analogia ‛ser-texto’ nos abrirá as portas para esse jogo da amarelinha onde a primeira pedra será jogada a partir do texto de partida, para vivenciar a “angústia” na passagem, mímese, identificação e repulsa diante do outro – o duplo – na tentativa de atingir o Céu: o texto de chegada.

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Biografia do Autor

Cristina Santoro, UFBA

Prof Frances FLE, Prof ELE, Tradutora literaria, Máster em Letras e Traducao e Doutora em Letras e Traducao -UFBA-

Referências

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Publicado

2019-01-31

Como Citar

Santoro, C. (2019). Julio Cortázar: de pontes e duplos. Uma alegoria da tradução. A Cor Das Letras, 20(3), 182–193. https://doi.org/10.13102/cl.v20i3.3571

Edição

Seção

Artigos em Fluxo Contínuo