O Método Lapelinc: possibilidades para a transcrição paleográfica

Autores

  • Liliana de Almeida Nascimento Ferraz Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/doutoranda em Linguística
  • Graciethe da Silva de Souza Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Doutoranda em Linguística
  • Jaqueline Cunha Ribeiro Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Mestranda em Linguística
  • Patrick Pereira Campos Brito Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Mestrando em Linguística
  • Jorge Viana Santos Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Professor Titular do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v23i2.7641

Palavras-chave:

Documentos digitais, Fotografia, Método Lapelinc, Transcrição paleográfica

Resumo

Com o advento das novas tecnologias tornou-se possível preservar a memória e/ou informações cruciais do passado histórico de um povo de forma científica. Dentre outros métodos possíveis de preservação e acesso a documentos históricos, destacamos o método desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa em Linguística de Corpus (LAPELINC). Por meio da fotografia cientificamente controlada, o Método Lapelinc visa à formação de corpora linguístico-eletrônicos, considerando-se, neste caso, a Fotografia como linguagem técnica. Conforme Santos e Namiuti (2019, p. 1383), o Método Lapelinc se caracteriza por ser um método de construção de corpora digitais anotados e cientificamente controlados, no qual se parte de um Documento Físico (DF) e constrói-se um Documento Digital Imagem (DDI), este último servirá de fonte original digital para os processos de constituição de corpora eletrônicos anotados, processos estes que terão como resultado o Documento Digital Texto (DDT).  De acordo com os autores, esse método possui três etapas de fluxo de trabalho: a transposição, a transcrição e a compilação de corpora. Aqui, por recorte, mostraremos como se dá a segunda etapa do Método Lapelinc, isto é, a transcrição, salientando as diferentes contribuições que o paleógrafo pode ter ao desenvolver a transcrição paleográfica a partir de um suporte digital imagem, visto que existem dificuldades paleográficas como o tipo de escrita, letras deformadas e outras, que, de acordo com Contreras (1994), advêm de duas influências contrárias: da mão que escreve e do olho que lê. No âmbito deste recorte, procura-se responder às seguintes questões: Quais novas possibilidades o Método Lapelinc dá à paleografia através do DDI, por ser este um documento digital fotográfico? Como o Método Lapelinc auxilia nas dificuldades encontradas pela paleografia para ler um documento manuscrito, mais especificamente o oitocentista? Para respondê-las, mobilizamos os pressupostos de Namiuti e Santos (2017), Santos e Brito (2014), Namiuti-Temponi Santos, Costa e Farias (2013), Souza e Santos (2013), principais autores que propuseram e desenvolveram tal método.

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Biografia do Autor

Liliana de Almeida Nascimento Ferraz, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/doutoranda em Linguística

Doutoranda em Linguística pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Possui Mestrado em Linguística (2014) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Especialização em Gestão Educacional (2014) pela Faculdade Hélio Rocha, Especialização em Linguística (2008) pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e graduação em Letras - Inglês e Português pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2006). Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Semântica, e, atualmente, atua como professora da Rede Estadual de Educação da Bahia, professora da Rede Municipal de Educação de Vitória da Conquista e pesquisadora no Laboratório de Pesquisa em Linguística de Corpus da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Graciethe da Silva de Souza, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Doutoranda em Linguística

Doutoranda em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin), da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Mestre em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin), da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Especialista em Estudos Linguísticos e Literários pelo Instituto Pró-Saber e em Produção Textual, pelo centro de ensino superior Dom Alberto LTDA, CESDA_PPROV, Brasil. Licenciada em Letras-Libras pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É membro do Laboratório de Pesquisa em Linguística de Corpus (Lapelinc/UESB) e do Grupo de Pesquisa em Estudos Semânticos (GEPES/UESB).

Jaqueline Cunha Ribeiro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Mestranda em Linguística

Mestrado em andamento em Linguística pelo Programa de Pós Graduação em Linguística da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB/PPGlin/CAPES). Especialização em História e Cultura Afro-brasileira pela Faculdade Dom Alberto. Graduação em Licenciatura plena em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Semântica (UESB/GEPES). Integrante do Grupo e Laboratório de Pesquisa em Linguística de Corpus (UESB/PPGLin/LAPELINC/GPELINC) e do Grupo de Estudos e Pesquisa em Escravidão no Brasil (GEPEB/LAPELINC/UESB).

Patrick Pereira Campos Brito, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Mestrando em Linguística

Mestrando em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB (2020-2022), atuando no projeto temático AS VOZES SINTÁTICAS E SEMÂNTICAS EM DOCUMENTOS HISTÓRICOS DO SÉCULO XIX, coordenado pela Professora Doutora Cristiane Namiuti (PPGLIN/UESB). Graduado em Letras vernáculas (Português e respectivas Literaturas) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. Desenvolve pesquisa na área de Linguística de corpus com ênfase em linguística histórica e metodologias automáticas de busca de dados em textos escritos, atuando principalmente nos seguintes temas, história do português, sintaxe, semântica e humanidades digitais. Foi membro bolsista de iniciação científica (IC – FAPESB) do projeto de pesquisa SINTAXE DIACRÔNICA EM CORPUS ELETRÔNICO: DO PORTUGUÊS PRÉ-CLASSICO ÀS VARIANTES MODERNAS coordenado pela Professora Doutora Cristiane Namiuti (PPGLIN/UESB) e co-orientado pelo Professor Doutor Jorge Viana Santos (PPGLIN/UESB).

Jorge Viana Santos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Professor Titular do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários

Doutor em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Atualmente é professor Titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), vinculado ao Departamento de Estudos Linguísticos e Literários. É Professor do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin-UESB) e docente colaborador do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS/UESB). É pesquisador do Grupo de Pesquisa em Estudos Linguísticos - GPEL (CNPq), do Grupo de Pesquisa em Linguística de Corpus ? GPELINC (Cnpq) e do Grupo de pesquisa Plataforma de Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão (Cnpq). É coordenador, juntamente com a Profa. Cristiane Namiuti (UESB), do Laboratório de Pesquisa em Linguistica de Corpus (LAPELINC); é pesquisador em rede associado ao LAVIHD, Laboratório Virtual de Humanidades Digitais, da USP. Como pesquisador da FAPESB (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia), coordena o projeto de pesquisa ?Corpora digitais de documentos históricos da Imperial Vila da Victoria, atual Vitória da Conquista-Bahia: resgate e preservação do patrimônio linguístico e da memória da escravidão na Bahia? (FAPESB APP0014/2016). Tem experiência na área de Linguística, Semântica, Semiótica, Linguística de Corpus; Memória e Fotografia, atuando nos seguintes temas: Escravidão, Liberdade, sentido, argumentação, lugares de enunciação, processos de designação, reescritura, subjetivação, fotografia, imagem e memória. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8548-4379

Referências

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Publicado

2022-12-28

Como Citar

de Almeida Nascimento Ferraz, L., da Silva de Souza, G. ., Cunha Ribeiro, . J., Pereira Campos Brito, P. ., & Viana Santos, J. (2022). O Método Lapelinc: possibilidades para a transcrição paleográfica. A Cor Das Letras, 23(2), 170–187. https://doi.org/10.13102/cl.v23i2.7641

Edição

Seção

Dossiê: Crítica Textual e Edição de Textos: diálogos com a Linguística de Corpus