De baús de famílias da região rural de Coração de Maria para o banco CE-DOHS: um acervo de cartas para a pesquisa em sociolinguística histórica
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v23i2.7897Palavras-chave:
Banco de dados. Português Popular Brasileiro. Cultura Escrita.Resumo
Neste texto, apresentam-se algumas reflexões sobre o corpus Cartas Marienses, documentação epistolar de foro privado, escrita por trabalhadores rurais e donas de casa, ao longo do século XX, na região rural de Coração de Maria, interior baiano. A amostra disponibilizada em (BRITO, 2020) atende a uma das agendas do Programa para História do Português Brasileiro (PHPB) – a constituição de corpora diacrônicos – e foi constituída no âmbito do projeto Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão, parceiro do PHPB. As Cartas Marienses, escritas por indivíduos que tiveram pouco acesso às normas gramaticais disseminadas pelo processo de escolarização, por isso, pouco familiarizados com o código escrito, apresentam marcas de inabilidade em escrita alfabética em vários planos. O Corpus passou por uma refinada metodologia de contextualização sócio-histórica (PETRUCCI, 2003) e tratamento filológico, o qual uniu métodos da Antiga e da Nova Filologia, com disponibilização de edição semidiplomática e de edição modernizada, em linguagem XML, com uso do eDictor. A amostra em questão é de grande valia para os estudos histórico-diacrônicos do português brasileiro (PB) no âmbito da Linguística Histórica e, também, da História Social da Cultura Escrita, uma vez que visibiliza uma escrita cotidiana. Com pouco grau de monitoramento, a escrita revela traços de marcas orais, produto de mãos pouco hábeis, de pessoas comuns, de classes sociais desfavorecidas, que ficaram à margem da sociedade, mas que, nas cartas que escreveram, também contaram a sua história.
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