Juventude no exílio: literatura juvenil brasileira decolonial – a Ditadura Militar no Brasil em Meninos sem pátria (1981), de Luiz Puntel

Autores

  • Vilson Pruzak dos Santos Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Unioeste
  • Adriana Aparecida Biancato Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste
  • Luiza Helena Oliveira da Silva Universidade Federal do Norte do Tocantins - UFNT

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v24i1.9332

Palavras-chave:

Literatura Infantil e Juvenil brasileira. Narrativas híbridas de história e ficção. Ditadura Militar no Brasil. Ressignificações do Passado. Descolonização.

Resumo

O estudo aqui efetuado tem como objetivo estabelecer possíveis aproximações entre a obra Meninos Sem Pátria (1981), de Luiz Puntel, narrativa juvenil cujo projeto estético volta-se à decolonialidade (MIGNOLO, 2017a; DORADO MENDEZ; FLECK, 2022), e os pressupostos teóricos sobre o gênero romance histórico contemporâneo de mediação – escrita híbrida de teor descolonizador –, descrito por Fleck (2017), o qual se constitui a partir de uma mescla de aspectos das modalidades acríticas (clássica e tradicional), bem como das mais desconstrucionistas (novos romances históricos latino-americanos e metaficções historiográficas). Na perspectiva de uma história do tempo presente, elaborada pela escritura ficcional de Puntel (1981), por meio de uma narrativa híbrida de história e ficção juvenil brasileira, temos contato com o período da ditadura militar no Brasil e as agruras sofridas por uma família – cujas personagens são metonímicas –, que representa tantas outras pessoas que vivenciaram as mesmas perseguições políticas durante o regime militar em nosso país (1964 – 1985). O corpus que serviu de base para o estudo parte da análise da obra supracitada e pretende apontar a resistência da literatura juvenil frente às narrativas do governo militar, contribuindo, assim, para a formação de um leitor mais crítico com possibilidades de compreensão da construção discursiva textual, numa caminhada à formação leitora descolonial.

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Biografia do Autor

Vilson Pruzak dos Santos, Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Unioeste

Doutorando em Literatura Comparada pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Membro do grupo de pesquisa “Ressignificações do passado na América: processos de leitura, escrita e tradução de gêneros híbridos de história e ficção – vias para a descolonização”.

Adriana Aparecida Biancato, Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste

Doutoranda em Literatura Comparada pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Membro do grupo de pesquisa “Ressignificações do passado na América: processos de leitura, escrita e tradução de gêneros híbridos de história e ficção – vias para a descolonização”.

Luiza Helena Oliveira da Silva, Universidade Federal do Norte do Tocantins - UFNT

Docente e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Linguística e Literatura da Universidade Federal do Norte do Tocantins (PPGLLIT/UFNT). Líder do GESTO - Grupo de Estudos do Sentido. Pesquisadora PQ2 do CNPq.

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Publicado

2023-07-18

Como Citar

Pruzak dos Santos, V., Aparecida Biancato, A., & Helena Oliveira da Silva, L. (2023). Juventude no exílio: literatura juvenil brasileira decolonial – a Ditadura Militar no Brasil em Meninos sem pátria (1981), de Luiz Puntel . A Cor Das Letras, 24(Especial), 139–155. https://doi.org/10.13102/cl.v24i1.9332

Edição

Seção

Dossiê - Ressignificações do passado da América: vias para a descolonização e o pensamento decolonial na literatura e na tradução literária