Literatura infantil e juvenil brasileira híbrida de história e ficção: entre a tradição apologética e a ressignificação descolonizadora
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v24iEspecial.9339Palavras-chave:
Narrativas híbridas de história e ficção infantis e juvenis. Formação do leitor literário. Romance histórico contemporâneo de mediação. Colonialidade. Descolonialidade.Resumo
Neste artigo discutimos sobre a formação do leitor literário, pois acreditamos que formar um leitor crítico, na sociedade hodierna latino-americana, é condição imprescindível para o cultivo do pensamento descolonial. Entendemos que somente uma formação dessa natureza pode conduzir os sujeitos aos rumos da descolonização das mentes, das identidades e do imaginário, territorializados pelo colonialismo (FLECK, 2017). Diante disso, buscamos, neste artigo, analisar como as narrativas híbridas de história e ficção infantis e juvenis brasileiras sobre o período colonial podem contribuir nesse processo. Para isso, analisamos as obras Descobrindo o Brasil (2000), de Julita Scarano, e Os estrangeiros (2012), de Marconi Leal. Para alcançar o intento, utilizamo-nos dos estudos de Mendonza Fillola (1994), Zucki (2015), Fleck (2017), Mignolo (2017), entre outros. A partir da análise empreendida, compreendemos a necessidade da escolha crítica por parte do professor em relação às obras indicadas para a leitura dos alunos, para que estes possam vivenciar uma prática descolonizadora na escola.
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Referências
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