O experimento colonialista de Tereza Cristina: figurações da colônia no romance histórico contemporâneo de mediação

Autores

  • Thiana Nunes Cella Unioeste/IFPR
  • Robson Rosa Schmidt UNIOESTE
  • Carlos Henrique Lopes de Almeida UNILA

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v24i1.9348

Palavras-chave:

Colônia Tereza Cristina, História do Paraná, Jean Maurice Faivre, Romance histórico contemporâneo de mediação, Socialismo utópico

Resumo

O período de formação da sociedade paranaense, especialmente, durante o século XIX, é marcado pela fundação de diferentes colônias ou agrupamentos de imigrantes em comunidades experimentais. Dentre elas está a Colônia socialista Tereza Cristina, instaurada na região central do Paraná, no vale do Rio Ivaí, hoje um diminuto distrito na cidade de Cândido de Abreu. Esse episódio do passado do estado é reelaborado por duas narrativas híbridas de história e ficção da modalidade mediadora, a saber: A utópica Teresevile (2016), de André Jorge Catalan Casagrande, e Retrato no entardecer de agosto (2016), de Luiz Manfredini. Neste artigo, analisamos criticamente essas narrativas com o objetivo de averiguar de que maneira o discurso ficcional manipula e amplia o discurso historiográfico sobre esse empreendimento. Nesse ínterim, nos apoiamos em Fleck (2017) e Cella (2022) para a classificação das narrativas, no aporte historiográfico referente ao processo de instalação, manutenção e falência da colônia Tereza nos reportamos a Silva (2017), Fernandes (2006) e Dysarz (2013). Com relação à metodologia de análise do corpus utilizamos as concepções teóricas de Genette (1979), Lins (1976) e Fleck (2017). A partir de nossas análises verificamos que as narrativas em questão oferecem novas e ampliadas perspectivas sobre um evento histórico ainda pouco explorado pela historiografia e que permitem a matização das relações entre os imigrantes europeus e as comunidades indígenas e quilombolas.

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Biografia do Autor

Thiana Nunes Cella , Unioeste/IFPR

Doutora em Letras pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE, com período sanduíche PDSE/Capes na Universidad del Salvador - USAL, Argentina; docente do Instituto Federal do Paraná - IFPR, campus Coronel Vivida. Integrante do grupo de pesquisa “Ressignificações do passado na América: processos de leitura, escrita e tradução de gêneros híbridos de história e ficção – vias para a descolonização”

Robson Rosa Schmidt, UNIOESTE

Mestrando em Letras pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE. Docente da Rede Estadual de Ensino do Paraná – SEED-Pr. Membro do grupo de pesquisa “Ressignificações do passado na América: processos de leitura, escrita e tradução de gêneros híbridos de história e ficção – vias para a descolonização”

Carlos Henrique Lopes de Almeida, UNILA

Doutor em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás -UFG. Docente da Universidade Federal da Integração Latinoa-americana - UNILA. Docente no Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada (PPGLC) da UNILA e no Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL) da Universidade Federal do Pará (UFPA).  Líder do grupo de pesquisa Literatura, educação, sociedade e Cultura. Membro do grupo de pesquisa “Ressignificações do passado na América: processos de leitura, escrita e tradução de gêneros híbridos de história e ficção – vias para a descolonização”

Referências

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Publicado

2023-07-18

Como Citar

Nunes Cella , T., Rosa Schmidt, R. ., & Lopes de Almeida, C. H. (2023). O experimento colonialista de Tereza Cristina: figurações da colônia no romance histórico contemporâneo de mediação. A Cor Das Letras, 24(Especial), 203–214. https://doi.org/10.13102/cl.v24i1.9348

Edição

Seção

Dossiê - Ressignificações do passado da América: vias para a descolonização e o pensamento decolonial na literatura e na tradução literária