Os “ruídos” de discursos outros: represent(ações) do feminino em Sem Gentileza, de Futhi Ntshingila
Palavras-chave:
Sem Gentileza, Futhi Ntshingila, discurso, feminino, representaçõesResumo
Este artigo reflete como a literatura contemporânea contém "ruídos" que provocam desconforto e influenciam a maneira como o sujeito produz sentido no mundo. Nós, enquanto seres simbólicos, históricos e sociais, integramos uma tríade de fraturas, memórias e subjetividades que atravessam a sociedade, o discurso e o campo literário. Mediante a subjetividade artística, a figura feminina emerge diluída em uma condição socioplural dentro do texto literário, o que demanda vozes como a de Futhi Ntshingila, autora de Sem gentileza (2016). A obra aborda questões diversas, como as representações do feminino, evidenciadas pelas experiências das personagens, o que configura o caráter de aspectos que transitam entre a conformidade, as ausências e o protesto, bem como a forma pela qual a literatura dá espaço para diferentes discursos e vozes. À vista disso, este estudo se utiliza de duas naturezas complementares de análises: na primeira, se articulam as concepções bakhtinianas do dialogismo e da autoria responsiva, pensando a autora e seu contexto de escrita; na segunda, a análise literária pauta-se sob a perspectiva dos estudos da de(s)colonialidade. Assim, nossa investigação, de natureza analítica, adota uma abordagem qualitativa e bibliográfica, fundamentada em teóricos como Regina Dalcastagnè (2005), Mikhail Bakhtin (1997, 2003), Anibal Quijano (2000), Catherine Walsh (2001) e outros/as autores/as decoloniais e feministas, estimulando uma leitura literária localizada na esfera das epistemologias dissidentes.
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