NARRATIVA FANTÁSTICA: QUESTÃO DE LEITURA?
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v15i1.1419Abstract
A categorização do fantástico, como gênero, não tem sido inequívo- ca nos estudos literários. Para Tzvetan Todorov o fantástico surge como um efeito decorrente da ocorrência de acontecimentos estranhos e insólitos em meio à narrativa, bem como da possibilidade de se fornecer duas explicações para esses acontecimentos. Diante da ambiguidade expressa pelo insólito, “alguém” deve optar por uma saída: o personagem ou o próprio leitor (Cf. TODOROV, 2007). A identificação do leitor com o personagem, apesar de considerada por Todorov, é vista por ele como fator dispensável. A hesitação entre uma explicação e outra, sim, seria o ponto central para a concretização do gênero. Filipe Furtado (1980), por sua vez, não admite a intervenção de um leitor empírico nesse tipo de narrativa. A dúvida e a hesitação patentes ao gênero seriam somente da narrativa e não do leitor. Diante desse impas- se, o trabalho visa considerar algumas teorias relacionadas ao leitor e à leitu- ra, a fim de avaliar a pertinência de se admitir a hipótese da participação de um leitor real na construção das narrativas fantásticas e, em especial, naque- las em que o medo provocado no leitor pelos acontecimentos narrados cons- titui a sua força motriz (cf. ROAS, 2006).
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