O “Português Fluente” do Porta dos Fundos: do equívoco da fala baseada na escrita padrão ao preconceito linguístico

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https://doi.org/10.13102/cl.v23i1.5618

Résumé

Este trabalho tem por objetivo analisar os aspectos sociolinguísticos presentes nos diálogos do vídeo "Português Fluente. A partir da tese amplamente defendida pela Sociolinguística de que todo falante nativo é plenamente capaz de se comunicar em sua própria língua, aponta-se alguns fatores que contribuem para a manutenção do mito de que há línguas superiores e inferiores, mais sofisticadas e menos sofisticadas, mais coerentes e menos coerentes. Sob a ótica das variedades linguísticas, foi possível notar que aspectos culturais e socioeconômicos influenciam o modo como fala cada pessoa, fato que configura os linguajares como diferentes e não como “errados”, conforme apregoado por Soares (2017), Rocha (2007), Possenti (1996), Bagno (2007), Bortoni-Ricardo (2004), Calvet (2002), Labov (2008), entre outros. Observa-se também que o conceito de “erro” em língua materna tem relação com as diferentes classes sociais e que a supervalorização do modo como falam as classes economicamente privilegiadas gera preconceitos linguísticos e outras consequências negativas em detrimento das classes mais oprimidas. Esta análise tem como base os estudos de pesquisadores da área de Sociolinguística, especialmente os que se referem aos aspectos que envolvem a Língua Portuguesa, variações e variedades linguísticas, noções de hierarquia da norma padrão gramatical e diferença linguística, bem como à ideia de classe social e de preconceito linguístico. Entende-se que a consciência sobre sociolinguística contribui para a redução de mitos que assolam as classes desfavorecidas (como no caso do silenciamento abordado por Ferrarezi Jr., 2014, e do preconceito linguístico, tratado por Bagno, 2007), e colabora para uma comunicação mais fluida entre as pessoas, potencializando o exercício da cidadania e, de certa forma, aumentando as possibilidades de redução das desigualdades sociais.

 

Palavras-chave: Norma Padrão. Hierarquia. Variedades linguísticas. Preconceito linguístico.

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Antonio Ismael Lopes de Sousa, Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão

Especialista em Gestão Pública pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA (2011). Graduado em Letras (Português/Inglês e Literaturas) pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA (2009). Atuou como Professor de Inglês (5º ao 9º ano), na U. I. Didácio Santos - Secretaria de Estado da Educação do Maranhão. Atuou como Agente Administrativo na Prefeitura Municipal de Balsas e como Assessor de Redação Oficial - Gabinete do Prefeito Municipal de Balsas (MA). Atuou como Gestor Público na Secretaria de Planejamento e Orçamento do Governo do Estado do Tocantins. Atualmente é Assistente em Administração na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) / Campus de Balsas (MA) e Mestrando em Letras pela UEMASUL.

Maria da Guia Taveiro Silva, Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão

É professora (Adjunto IV) de Linguística da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão-UEMASUL, onde atua no Curso de Letras Língua Portuguesa e Literaturas, do Centro de Ciências Humanas, Sociais e Letras-CCHSL, e no Mestrado Profissional em Letras, do qual é Vice-Coordenadora. É formada em Letras Português e Inglês, pela Universidade Estadual do Maranhão (1988) e em Pedagogia, pela Universidade Federal do Maranhão (2001). É mestre em Educação (2007), pela Universidade de Brasília e doutora em Linguística (2012), pela mesma Universidade. Fez estágio de doutorado, financiado pela CAPES, na Universidade da Califórnia em Los Angeles ? UCLA, USA, (2010-11), Participou do curso de Ensino de Inglês como Língua Estrangeira, financiado pela CAPES, no Instituto de Educação ? IOE, da universidade de Londres, UK, (2012). Tem experiência na área de Linguística (Sociolinguística), focalizando Educação e Linguística ? formação de professores ?, trabalhando temas como: educação em língua materna; letramento e formação de professores; alfabetização; etnografia de sala de aula. Como pesquisadora, é líder do Grupo de Pesquisa (CNPq): Grupo de Estudos Linguísticos do Maranhão ? GELMA e vice-coordenadora do Núcleo de Estudos Literários e Linguísticos ? NELLI. Atualmente é coordenadora de dois projetos Universais de Pesquisa, com fomento: um estadual (FAPEMA) e um nacional (CNPq). Como extensionista, é coordena de um projeto de Extensão (PIBEXT), em escolas públicas de Ensino Médio, em Imperatriz. Orienta bolsistas e voluntários de iniciação científica (IC) e de extensão, bem como bolsista do Programa de Bolsas de Apoio Técnico Institucional ? BATI. É consultora ad hoc de agências de fomento (FAPEMA, CNPq e Cebraspe) e revisora de revista especializada (Domínios de Lingu@gem, da UFU). Suas publicações incluem artigos, capítulos de livros, apresentação de obras e os livros, ?Letramento e linguagem em escola rural? e ?Experiência de vida e letramento?. Na área administrativa, responde pela Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação - PROPGI.

Mahalla Stephany Feitosa Aguiar, Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão

Possui graduação em Letras-Português pela Universidade Estadual do Maranhão-UEMA. Atualmente é Coordenadora de Linguagens - Secretaria Municipal de Educação de Imperatriz (MA) e Mestranda em Letras pela UEMASUL.

Gisélia Brito dos Santos, Universidade Federal do Maranhão

Professora da Universidade Federal do Maranhão, Campus de Balsas. Diretora da UFMA Campus Balsas. Doutora em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (2013) (Realizou estágio de doutorado sanduíche de fevereiro e julho de 2011 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Portugal). Mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (2009). Especialista em Psicologia da Educação (2016) e em Perspectivas Críticas da Literatura Contemporânea (2006) pela Universidade Estadual do Maranhão. Graduada em Licenciatura Plena em Letras português, inglês e respectivas literaturas pela Universidade Estadual do Maranhão (2004). Atua na área de leitura e produção textual, metodologia da pesquisa científica e de ciência, tecnologia e sociedade.

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Publiée

2022-12-28

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Lopes de Sousa, A. I., Taveiro Silva, M. da G., Feitosa Aguiar, M. S., & Brito dos Santos, G. (2022). O “Português Fluente” do Porta dos Fundos: do equívoco da fala baseada na escrita padrão ao preconceito linguístico. A Cor Das Letras, 23(2), 202–222. https://doi.org/10.13102/cl.v23i1.5618

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Artigos em Fluxo Contínuo