A escrevivência de Conceição Evaristo como espelho de Oxum e Iemanjá: formas outras de “se ver” na/pela literatura negro-brasileira
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v24i1.6269Abstract
Este artigo com base nos pressupostos teóricos/metodológicos da Análise de Discurso, de linha francesa, que tem como expoente Michel Pêcheux (1975), busca compreender os sentidos de denúncia num gesto de escuta do funcionamento discursivo da escrevivência de Conceição Evaristo em sua posição-sujeito de escritora. Partimos do entendimento de que a visão eurocentrada naturalizou o branco como o ser humano “padrão”, “único”, “normal”, produzindo sentidos contrários aos sujeitos pretos e pretas sendo o(a) esses os diferentes. Segundo Orlandi, 2017, p. 96, “[...] a cor negra é estigmatizada: ‘não é para ser negro’ [...] ou seja, há uma interdição em, pura e simplesmente, ser negro”. É nessa negação do existir e pela “[...] irracionalidade do racismo que nos coloca a/o ‘Outra/o’, como diferente, como incompatível, como conflitante, como estranha/o e incomum” (KILOMBA, 2019, p. 40). Portanto o objetivo é analisar os sentidos de representatividade que a escrevivência causa em relação ao lugar de enunciação em que o sujeito preto e preta devem ocupar, uma vez que “o não lugar, o não ser, e o não estar” já são pré-estabelecidos no imaginário social em que o racismo atua.
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