Infâncias deslocadas: controles de corpos e fronteiras em Arquivos das crianças perdidas

Auteurs

  • Lívia Verena Cunha Rosário Universidade Federal Fluminense

DOI :

https://doi.org/10.13102/cl.v22iEsp..7325

Mots-clés :

Enfants, Refugees, Control, Frontiere

Résumé

O objetivo deste artigo é analisar como a experiência de crianças refugiadas, na fronteira entre México e Estados Unidos, é retratada na obra Arquivo das crianças perdidas, da autora mexicana Valeria Luiselli. Todos os anos, cerca de 100 mil crianças vindas do México e América Central enfrentam, muitas vezes desacompanhadas, uma perigosa viagem em busca de segurança e esperança de sobreviver nos Estados Unidos. Quando os refugiados conseguem alcançar a fronteira, ainda correm o risco de serem detidos ou deportados de volta a seus países. Várias crianças que viajam nessas circunstâncias para os Estados Unidos – ou de um país para outro, em qualquer lugar do mundo –, ficam aguardando muito tempo em centros de detenção ou campos de refugiados, sem saber o destino que as aguarda. É a partir das histórias dessas crianças que fogem, e às vezes se perdem cruzando as fronteiras, que Valeria Luiselli constrói o romance Arquivo das crianças perdidas, e situa o leitor diante de alguns aspectos da complexa experiência do refúgio no mundo contemporâneo. Para tanto, o artigo especifica as vulnerabilidades das crianças refugiadas, a relação da autora com a questão migratória e como a polifonia da obra apresenta as características dos mecanismos de controle de corpos na fronteira.                   

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Publiée

2022-02-17

Comment citer

Rosário, L. V. C. (2022). Infâncias deslocadas: controles de corpos e fronteiras em Arquivos das crianças perdidas. A Cor Das Letras, 22(Esp.), 65–81. https://doi.org/10.13102/cl.v22iEsp.7325

Numéro

Rubrique

Dossiê: Corpo e espaço: que discurso enunciam?