Ler eescrever na América portuguesa: notícias sobre um “método” para a educação escolar indígena na Capitania de Pernambuco do século XVIII
DOI :
https://doi.org/10.13102/cl.v23i2.8381Mots-clés :
Cultura escrita, Escolarização, América portuguesa, Populações indígenasRésumé
A “nova” política indigenista do governo ilustrado de D. José I manifestou-se na reestruturação político-administrativa dos aldeamentos indígenas administrados pelas Ordens religiosas, sobretudo dos jesuítas, que deveriam ser transformados em vilas e lugares, e nas relações entre autoridades civis, indígenas e colonos na América portuguesa. Nesse contexto, emergiram orientações quanto às formas de implementar a “nova” política indigenista do Império português, a exemplo da Direcçaõ comque interinamente se devem regular os Indios das novas Villas, e Lugares, que Sua Magestade Fidelissima manda erigir das Aldeas e da Breve instrucçam para ensignar aDoutrina christaã, Ler eescrever aos Meninos eaomesmo tempo osprincipios daLingoa Portugueza eSuaOrthografia, documentos escritos no governo de Luiz Diogo Lobo da Silva (1756-1763), com vistas a orientar Diretores de índios e Mestres no processo de civilização das populações indígenas das novas vilas erigidas na Capitania de Pernambuco e suas anexas (Paraíba, Rio Grande e Ceará). Partindo da edição semidiplomática dessa Breve instrucçam, que é constituída por uma cartilha e uma instrução para os Mestres, discute-se a prática metodológica proposta para a educação escolar indígena no supracitado espaço político-administrativo. Sem dúvida, o caráter único do documento em questão coloca em evidência sua importância para uma maior compreensão do processo de escolarização das populações indígenas nos sertões do Nordeste brasileiro e, por extensão, de mais um capítulo da história social linguística do Brasil, na direção de abrir vias de investigação sobre a difusão social da escrita entre as populações indígenas brasileiras na segunda metade dos Setecentos.
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