Literatura no PROFLETRAS: caminho de formações mútuas

Auteurs

  • Ana Crélia Dias Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Fernando Maués Universidade Federal do Pará

DOI :

https://doi.org/10.13102/cl.v20i2.4921

Résumé

O PROFLETRAS, Mestrado Profissional em Letras em rede, cuja configuração inicial contava com 37 polos nas cinco regiões, insere-se no conjunto de iniciativas federais que, na última década, buscaram promover a integração entre as universidades e a escola de educação básica. Concebido como programa de formação continuada stricto sensu para professores do ensino fundamental da rede pública, a pós-graduação objetiva qualificar a prática pedagógica de língua materna. No caso específico da Literatura, tão marginalizada no contexto de uma Educação escrutinada por métricas cartesianas, habilidades e competências mensuráveis – ao que o texto literário e toda a arte são tão reativos - e, ao lado disso, do afastamento radical do que se focaliza nas licenciaturas e o que se realiza nas escolas, o programa tem desafio importante a enfrentar. É das transformações, é da formação conjunta e mútua de docentes universitários e da escola básica que trata este trabalho. A partir de um suporte teórico que inclui estudiosos da formação docente como Tardif e Raymond (2000), Messina (2001) e Contreras (2002) e, principalmente, das relações entre Literatura e Educação e da formação de leitores, como Candido (2002; 2004), Chiappini (2005), Lajolo (1992) e Bajour (2012), aliado à coleta de relatos de docentes e discentes do programa, que buscamos refletir sobre os movimentos provocados pela formação e seus resultados nas relações com o texto literário e o ensino de literatura, em todos os níveis de ensino. O encontrado foi uma transformação que tem seus efeitos sentidos tanto na escola, quanto no ensino superior, na medida em que novas práticas e conhecimentos têm resultado da conjunção dos saberes acadêmicos com aqueles profissionais dos professores.

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Métriques

Chargements des métriques ...

Références

BLOOM, H. O cânone ocidental: os livros e a escola do tempo. Trad. Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001

BOURDIEU, P. Sociologia. (organizado por Renato Ortiz). São Paulo: Ática, 1983.

CANDIDO, A. Discurso de paraninfo. In.: Textos de intervenção. São Paulo, Duas Cidades, Ed. 34, 2002.

CANDIDO, A. O direito à literatura. In.: Vários escritos. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2011.

CARRASCOZA, J. A. Suíte acadêmica: apontamentos poéticos para elaboração de projetos de pesquisa em Comunicação. In: MATRIZes. v. 10, nº 1, jan./abr. 2016, São Paulo, p. 57-65 [DOI:http://dx.doi.org/10.11.606/issn.1982-8160.v10.i1p.57-65]

CHARTIER, R. Leituras e leitores na França do Antigo Regime. Tradução Álvaro Lorencini. São Paulo: UNESP, 2003.

CHIAPPINI, L. Reinvenção da catedral. São Paulo, Cortez, 2005.

COMPAGNON, A. Literatura para quê? Trad. Laura T. Brandini. Belo Horizonte: UFMG, 2009.

CONTRERAS, J. A autonomia de professores. São Paulo: Cortez, 2002.

DIAS, A. C. P. Literatura e educação literária: quando a literatura faz sentido(s). Cerrados. Dossiê Ensino de Literatura: tensões, polêmicas e processos. Revista do Programa de Pós-graduação em Literatura. Universidade de Brasília. Ano 25. 2016.

FERREIRA, L. A convivência com os textos: unidades no ensino de Literatura em nível médio. Assis: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Assis, 1970

FREIRE, P. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho d’água, 1997.

ISER, W. O ato de leitura. Uma teoria do efeito estético. Trad. Johannes Kretschmer. São Paulo: Ed. 34, 1996. v.1-2.

JOUVE, V. Por que estudar literatura? Trad. Marcos Bagno e Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2012.

ISER, W. O ato da leitura: uma teoria do efeito estético. Vol. 1. Trad. ]ohannes Kretschmer. São Paulo: Editora 34, 1996.

LAJOLO, M. Usos e abusos da literatura na escola. Rio de Janeiro: Globo, 1982.

LAJOLO. M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.

LINS, O. Do ideal e da glória: problemas inculturais brasileiros. São Paulo, Summus, 1977.

MARX, W. L'adieu à la littérature. Histoire d'une dévalorisation. XVIIIe - XXe siècle. Paris: Éditions de Minuit, 2005.

MESSINA, G. Mudança e inovação educacional: notas para a reflexão. Trad. Isolina Rodriguez. Cadernos de Pesquisa, n. 114, novembro/2001 2001. p. 225-233

PERRONE-MOISÉS, L. O longo adeus à literatura. Ilustríssima – Folha de São Paulo, 10/07/2011 [Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/941210-o-longo-adeus-a-literatura.shtml]

PETIT, M. A arte de ler: ou como resistir à adversidade. Trad. Arthur Bueno e Camila Boldrini. São Paulo: Ed. 34, 2009.

POUND, E. A arte da poesia: ensaios escolhidos. São Paulo: Cultrix/EDUSP, 1976. SALLENAVE, D. Nous, on n'aime pas lire. Paris: Gallimard, 2008

SANTOS, Z. Mestrado Profissional em Letras: contribuições à formação docente no discurso dos egressos da Universidade Federal do Pará. PPGED – UFPA, 2018. [Dissertação de Mestrado]

SARTRE, J. P. O que é literatura? Trad. Carlos Felipe Moisés. 3ª ed. São Paulo: Ática, 2004.

SILVA, R. A.; PERONI, M. R. A formação continuada do docente de língua portuguesa e o programa GESTAR I: a proposta oficial as necessidades do professor. Revista Moara, n. 36, jul/dez 2011.

TARDIF, M.; RAYMOND, D. Saberes, tempo e aprendizagem do trabalho no magistério. In: Educação & Sociedade, ano XXI, n 73, dez/2000.

TODOROV, T. A literature em perigo. Trad. Caio Meira. 2ª ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009. [Originalmente publicado em francês em 2007].

ZILBERMAN, R. (org). Leitura Em Crise Na Escola: As Alternativas Do Professor. Porto Alegre: Mercado Aberto: 1982.

ZILBERMAN, R. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global. 1981.

Téléchargements

Publiée

2019-12-19

Comment citer

Dias, A. C., & Maués, F. (2019). Literatura no PROFLETRAS: caminho de formações mútuas. A Cor Das Letras, 20(2), 123–144. https://doi.org/10.13102/cl.v20i2.4921

Numéro

Rubrique

Dossiê: Ensino-aprendizagem de línguas e literaturas em diferentes perspectivas