Robert Stam leitor de Machado de Assis
DOI :
https://doi.org/10.13102/cl.v23i1.6268Résumé
Nesse estudo pretendemos investigar os aspectos da leitura que o teórico do cinema e da cultura Robert Stam fez da adaptação do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, realizada pelo cineasta André Klotzel (STAM, 2008) em filme intitulado Memórias póstumas. Posteriormente, daremos ênfase à observação das questões de como o autor lê as relações entre ficção e sociedade tensionadas pelo romance de Machado e pela adaptação cinematográfica, ressaltando o que Stam afirma quando diz que o que lhe “interessa é a historicidade das próprias formas, a maneira pela qual as escolhas estilísticas em termos de gênero, voz e ponto de vista ressoam o que a translinguística chama de ‘avaliações sociais’”. (STAM, 2008, p.38). Nos apoiaremos em categorias narratológicas como narrador e focalizador (GENETTE, s/d; STAM, 1992) e personagem (CANDIDO et al., 1992), e nas discussões sobre ficção e sociedade (CANDIDO, 2000; SHOHAT, STAM, 2006; AUMONT, 1995; MARTIN, 2003), levando em conta ainda os conceitos de dialogismo (BAKHTIN, 1981; STAM, 1992) e discurso de dupla voz (BAKHTIN, 1981. p.164). Em sua abordagem, Robert Stam destaca como avanço nas opções tradutórias de Klotzel o afastar-se em relação às narrativas cinematográficas tradicionais, que elidem o caráter metalinguístico dos textos-fonte. Ao mesmo tempo aponta lacunas quanto à tematização sobre questões como a escravidão no Brasil, agudas em Machado, mas tornadas secundárias no filme de Klotzel. Observando esse elemento, refletiremos sobre aspectos do personagem-narrador-focalizador Brás Cubas na obra de Machado e no filme de Klotzel.
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