Corpo-memória e melancolia do homem gay em Cloro, de Alexandre Vidal Porto

Auteurs

  • Bougleux Bonjardim da Silva Carmo UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA

DOI :

https://doi.org/10.13102/cl.v24i1.7640

Mots-clés :

Alexandre Vidal Porto, Homoerotismo, Melancolia, Memória social, Reconhecimento

Résumé

Neste artigo, analiso o processo de reconhecimento da homossexualidade de Constantino Curtis no romance Cloro, de Alexandre Vidal Porto (2018). Para tanto, adoto a interface entre a perspectiva psicanalítica (FREUD, 1996; QUINET, 2020; LACAN, 1998a, 1998b) e estudos da narrativa (RICOEUR, 2007, 2008, 2014), considerando o trabalho da memória empreendido pela personagem. Como forma de refletir sobre suas decisões ao longo de uma vida vivida nos moldes heteronormativos, o protagonista revisa sua existência via rememoração após sua morte em uma sauna gay. Isso posto, na análise focalizo a construção da identidade narrativa, o trabalho da memória e em como os conflitos subjetivos, relativos ao desejo homoerótico, irrompem-se marcando as tensões enfrentadas por um homossexual obrigado a performar outra identidade de gênero (BUTLER, 2015). A partir da figuração estética, o enredo ilustra e problematiza a melancolia desse processo, assim como a representação do drama de tantos sujeitos com vidas "duplas" ou "vidas em silêncio" pela repressão da própria sexualidade (PERASSOLO, 2019; RODRIQUES, 2020). Constantino Curtis é um corpo-memória melancólico, pois é produzido sob dispositivos psicossociais de poder e controle sobre os corpos e desejos (BUTLER, 2017). No horizonte da configuração narrativa, tem-se uma sociedade heterossexista estabelecendo lógicas de reconhecimento excludentes e insistindo no uso político e determinado do esquecimento que força sujeitos a reprimirem e apagarem traços de si, calando a própria subjetividade. O romance em tela, no fundo, propõe uma profunda reflexão sobre culpa, gozo e modos de existência nas dobras entre o individual e o social.

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Biographie de l'auteur

Bougleux Bonjardim da Silva Carmo, UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA

Doutor em Estado e Sociedade pela Universidade Federal do Sul da Bahia (2021). Mestre em Letras - Profletras pela Universidade Estadual de Santa Cruz (2015). Especialista em Linguística Forense pela Universidade do Porto - UP (2018). Licenciado em Letras pela Universidade do Estado da Bahia (2008). Atualmente é professor de língua portuguesa da Secretaria de Educação do Estado da Bahia. É membro da Associação Brasileira de Linguística - ABRALIN, na qual participa da Comissão de Ensino de Línguas. É psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise e Psicoterapias - SOBRAPP. Organizou coletâneas e publicou artigos nas áreas de Letras e Ciências Humanas.

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Publiée

2024-12-30

Comment citer

Bonjardim da Silva Carmo, B. (2024). Corpo-memória e melancolia do homem gay em Cloro, de Alexandre Vidal Porto. A Cor Das Letras, 25(2). https://doi.org/10.13102/cl.v24i1.7640