Literatura negra-africana: um conceito de corpo e ancestralidade

Autores

  • Lia Teodoro Martins Ferreira Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
  • Elisabete Figueroa dos Santos Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Palavras-chave:

Literatura negra., Literatura negra-africana., Cosmovisão africana., Afrocentricidade., Corporeidade.

Resumo

As terminologias que conceituam a literatura negra, ou seja, aquelas que abordam a temática negra e são escritas por pessoas negras, no Brasil, variam dentre muitas questões. A principal delas se dá na variação dos termos “afro” e “negro” em seus prefixos, justificando-se a partir da identidade da pessoa negra, segundo Cuti e seu termo “literatura negro-brasileira”; e da herança africana no termo “literatura afro-brasileira”, segundo Eduardo de Assis Duarte. Questões sobre a afetividade e o encantamento também fazem parte na distinção dessa nomenclatura ao demarcar a centralidade nas abordagens que devem predominar na narrativa, como é o caso da literatura negroafetiva de Sônia Rosa; a literatura negro-brasileira do encantamento de Kiussam de Oliveira; e a afroafetiva de Marcos Cajé. A marcação geográfica de inclusão ou exclusão do termo “brasileiro” também é pauta para discussão na conceituação deste termo, tendo em vista a produção brasileira e suas particularidades históricas e sociais que constituem tal literatura. Pensando no impacto que as nomenclaturas carregam no ambiente acadêmico, sobretudo no espaço escolar, o presente artigo visa trazer um novo olhar ao adotar e defender a terminologia negra-africana na caracterização das literaturas produzidas por autores e autoras negros/as no Brasil, a partir do diálogo com os princípios da afrocentricidade de Molefi Kete Asante, a noção identitária de Cuti agregada à cosmovisão africana de corpo na conceituação da literatura negra. Entendendo que nenhum conceito é suficiente para suprir a complexidade de produções literárias negras presentes no Brasil, busca-se ampliar as compreensões existentes, principalmente com referência aos termos de Duarte, Cuti e Sônia Rosa, propondo reflexões concernentes à forma como África configura o corpo negro, tanto como legado da herança africana na Literatura oral, como um corpo não dicotomizado em que lhe é intrínseco o afeto, ciência e conhecimento. Dessa forma, pensar em uma literatura negra-africana é unir: “negra”, a partir dos princípios de corporeidade e a noção transversal de corpo da cosmovisão africana; e “africana”, a fim de marcar a agência psicológica originária do conhecimento, segundo os princípios da afrocentricidade de Asante, para caracterizar as produções de literatura negra que correspondem à representação do corpo negro humanizado, intelectual, afetivo, evidenciando as singularidades que diferenciam a corporeidade negra a partir da diáspora e da consciência racial, as relações com o meio-ambiente, política e cultura, considerando visão de mundo e localização psicológica em África.

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Biografia do Autor

Lia Teodoro Martins Ferreira, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Professora, pedagoga e mestranda em Educação pela Unicamp. Especialista em Educação e relações étnico-raciais, também possui graduação em Letras - Português/ Inglês pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2013). https://orcid.org/0009-0009-9340-439X Endereço eletrônico: lia_martis@hotmail.com.

Elisabete Figueroa dos Santos, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Possui graduação (2008), mestrado (2011) e doutorado (2015) em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. http://orcid.org/0000-0003-2017-8845 Endereço eletrônico: elifigue@unicamp.br

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Publicado

2025-12-22

Como Citar

Ferreira, L. T. M., & Santos, E. F. dos. (2025). Literatura negra-africana: um conceito de corpo e ancestralidade. A Cor Das Letras, 26(Especial), 15–31. Recuperado de https://periodicos.uefs.br/index.php/acordasletras/article/view/11964

Edição

Seção

Dossiê temático: Literatura e Epistemologias dissidentes