Estética da recepção e A hora da estrela: uma análise da obra de Clarice Lispector e o papel do leitor na construção de sentido

Autores

  • Vanda Olga Stelmatchuk Uniandrade

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v26i2.12319

Palavras-chave:

Estética da recepção, Clarice Lispector, Metaficção

Resumo

Este artigo analisa à obra, A hora da estrela, de Clarice Lispector, sob a perspectiva da Estética da recepção, privilegiando a abordagem teórica de Wolfgang Iser sobre o processo individual de leitura e a construção colaborativa de significado entre texto e leitor. O estudo fundamenta-se nos conceitos centrais da teoria iseriana, leitor implícito, vazios textuais e indeterminação, para investigar como a estrutura metaficcional da narrativa clariceana estabelece um complexo jogo de interação que demanda a participação ativa do leitor na produção de sentido. A pesquisa explora detalhadamente como Iser concebe o ato de leitura como processo dinâmico no qual o leitor não apenas decodifica informações, mas ativamente constrói significado através do preenchimento de lacunas e da resolução de indeterminações textuais. Na obra de Clarice, essas estratégias manifestam-se através da tensão entre o narrador Rodrigo S.M. e a protagonista Macabéa, criando um sistema de vazios que obriga o leitor a posicionar-se criticamente diante das questões éticas de representação e alteridade. A análise demonstra como a metaficção clariceana funciona como dispositivo que explicita e problematiza o próprio processo de leitura, transformando o leitor em coautor da obra através de sua participação interpretativa. O estudo examina as estratégias narrativas específicas utilizadas por Clarice para desestabilizar expectativas convencionais e instigar uma reflexão crítica sobre os mecanismos de construção de significado na literatura contemporânea. A investigação revela que o conflito estrutural entre narrador e personagem não apenas expõe questões éticas sobre representação literária, mas antecipa debates contemporâneos sobre lugar de fala e responsabilidade narrativa, demonstrando a capacidade da obra de gerar significados que transcendem seu contexto histórico original. Este estudo conclui que a obra de Clarice atua como uma provocação à teoria literária tradicional, demonstrando a importância da abordagem da Estética da recepção para entender obras que questionam a interação entre autor, texto e leitor.

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Referências

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LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

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Publicado

2026-03-08

Como Citar

Stelmatchuk, V. O. (2026). Estética da recepção e A hora da estrela: uma análise da obra de Clarice Lispector e o papel do leitor na construção de sentido. A Cor Das Letras, 26(2). https://doi.org/10.13102/cl.v26i2.12319