PRESSUPOSTOS MEDIEVAIS E A ESCOLHA DE DESCARTES PELO TERMO IDEA NAS MEDITAÇÕES METAFÍSICAS
HIPÓTESE INTERPRETATIVA
DOI :
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i50.11440Résumé
Examina-se a adoção do termo idea por Descartes, mostrando o ponto de inflexão em relação ao considerado empirismo aristotélico-tomista, vigente na segunda metade do período escolástico medieval. O artigo delineia uma transição conceitual da idea, evidenciando como Descartes, apesar de criticar o fundamento empírico proposto pela tradição escolástica, não se distanciou por completo dos substratos metafísicos medievais. Comparando as interpretações agostinianas e tomistas sobre a idea e a perspectiva cartesiana, o texto expõe a complexa interação entre Descartes e o legado filosófico medieval, ilustrando sua tentativa de estabelecer uma nova base epistemológica assentada no cogito e na idea.
Téléchargements
Références
Referências bibliográficas
1. Fontes primárias
AGOSTINHO DE HIPONA. Comentário ao Gênesis. São Paulo: Paulus, 2005.
____________. As ideias (De ideis). Tradução de Moacyr Novaes. In: Discurso: Revista do Departamento de Filosofia da USP, São Paulo, v. 40, 2008, p. 377-380.
____________. De diversis quaestionibus octoginta tribus. 2015. Disponível em: http://www.augustinus.it/latino/. Acesso em: jan. 2024.
ANSELMO DE AOSTA. Monologium. Tradução de Ângelo Ricci et al. São Paulo: Nova Cultura, 1988. (Coleção Os Pensadores).
ARISTÓTELES. Metafísica (Livro I, II e III). Tradução de Lucas Angioni. Campinas: UNICAMP/IFCH, 2002. (Cadernos de Tradução dos Clássicos da Filosofia, n. 1)
____________. Metafísica (v. II). Tradução de Giovanni Reale. São Paulo: Loyola, 2002.
DESCARTES, R. Oeuvres de Descartes. Publicadas por Charles Adam & Paul Tannery. 1897. Disponível em: <http://philosophyfaculty.ucsd.edu/faculty/ctolley/texts/descartes. html>. Acesso em: dez. 2022.
____________. Meditações sobre filosofia primeira. Tradução de Fausto Castilho. Edição bilíngue, latim-português. Campinas: Editora da Unicamp, 2004.
____________. Obras escolhidas. Org. J. Guinsburg, Roberto Romano e Newton Cunha. Tradução de J. Guinsburg, Bento Prado Jr. et al. (Textos, 24). São Paulo: Perspectiva, 2010.
GUILHERME DE OCKHAM. Quaestiones in librum secundum Sententiarum (Reportatio). St. Bonaventure (N.Y.): The Franciscan Institute, 1967.
____________. Scriptum in Librum Primum Sententiarum (Ordinatio). Editado por S. Brown e G. Gál. St. Bonaventure (NY): The Franciscan Institute, 1970.
PEDRO DE JOÃO OLIVI. Quaestiones in Primum et Secundum Librum Sententiarum. Editado por Jansen. Florence: Collegium S. Bonaventurae, 1992-1996.
PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1983.
____________. Fedão. Tradução de Maria Teresa Schiappa de Azevedo. Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 1988.
PLOTINO. Enéadas (V-VI). Introdução e tradução de Jesús Igal. Madrid: Gredos, 1998.
TOMÁS DE AQUINO. Scriptum super Sententiis. Quaestiones de quolibet (Quodlibet VII). Summa Theologiae. In: Corpus Thomisticum. Organização de Enrique Alárcon. Pamplona: Universidade de Navarra. 2000. Disponível em: http://www.corpus thomisticum.org/iopera.html. Acesso em: jan. 2023
____________. Suma Teológica (vol. II). Tradução de Alfo Vannucchi et al. São Paulo: Loyola, 2002.
2. Fontes secundárias
ARIEW, R. Descartes and scholasticism: The intellectual background to Descartes’ thought. In: COTTINGHAM, J. (ed.). Cambridge companion to Descartes. Cambridge: Cambridge University Press, 1992.
CHENU, M.-D. Introduction a l’étude de Saint Thomas d’Aquin. Paris/Montréal: Vrin/Institut d’études médiévales, 1954.
FABRO, C. Participazione e causalità secondo S. Tommaso d’Aquino. Torino: Società Editrice Internazionale, 1960.
GILSON, É. Études sur le rôle de la pensée médiévale dans la formation du système cartésien. Paris: Librairie Philosophique J. Vrin, 1955.
JOLLEY, N. The light of the soul: Theories of ideas in Leibniz, Malebranche, and Descartes. New York: Oxford University Press, 1995.
MCRAE, R. Idea as a philosophical term in the seventeenth century. In: Journal of the History of Ideas, 26(2), p. 175-190, 1965.
MOTTE, A. et al. (eds.) Philosophie de la forme: eidos, idea, morphè dans la philosophie grecque des origines à Aristote: actes du colloque interuniversitaire de Liège, 29 et 30 mars 2001. Louvain-la-Neuve, Paris; Dudley, Mass: Peeters, 2003.
PASNAU, R. Theories of cognition in the later Middle Ages. Cambridge & New York: Cambridge University Press, 1997.
TORRELL, J. P. Iniciação a Santo Tomás de Aquino. Sua pessoa e sua obra. Tradução de Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: Loyola, 2004.