O SINTOMA "LIMITE"
DOI :
https://doi.org/10.13102/ideac.v1i52.11607Mots-clés :
Limite, Mário Peixoto, Cinema brasileiro.Résumé
Trata-se de propor uma leitura inovadora do filme Limite (1931) que é considerado um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro. A grande fortuna crítica formada em torno do filme normalmente ressalta o caráter metafísico de suas preocupações: o “limite” de que fala o título seria o destino trágico do ser humano de estar preso ao tempo e dele não poder escapar. A leitura proposta aqui busca afastar-se dessa dimensão metafísica, ao mobilizar o conceito de sintoma, usado pela teoria contemporânea da imagem francesa, a fim de pensar não o que as imagens mostram, mas o que elas não mostram. Assim, busca-se fazer uma referência ao fato de que a cidade de Mangaratiba, onde o filme foi filmado, recebia no século XIX desembarques de navios negreiros, promovidos pela família do diretor de Limite, a família Breves. Assim, o tema do tempo será abordado a partir de 3 camadas temporais que sobrepõem: a suspensão temporal, que indica a intenção estética de criar um espaço-tempo indeterminado; o tempo histórico, que vai tentar encontrar elementos que denunciem o fato de que ele foi filmado na cidade de Mangaratiba em 1930 e finalmente o tempo ancestral que se refere à memória da escravidão que permanece como um elemento invisível no filme.
Téléchargements
Références
DELEUZE, G. Cinema 2 : Image-temps. Paris : Minuit, 2012.
LOPES, Denilson. Um outro modernismo. Matraga, v. 29, n. 57, p. 485-498, set./dez. 2022. Disponível em <>, acessado em 20/06/2024.
KUNIGAMI, A. Limite e a imagem que não vemos: uma proposta crítica. Disponível em << https://limite.uff.br/imagem-que-nao-vemos/>>
KOPENAWA, D. & ALBERT, B. A queda do céu. Tradução Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
EMERICK, MA forma de Limite. Disponível em <https://limite.uff.br/forma-de-limite/>, acessado em 19/06/2024
MELO, S. P. Breve esboço de uma cinebiografia de Mário Peixoto. Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1996a (catálogo da exposição Mário Peixoto).
_________. Limite. Rio de Janeiro: Rocco, 1996b.
RANCIÈRE, J. Le Spectateur emancipé. Paris: Fabrique, 2008.
___________. Figures de l’histoire. Paris : PUF, 2012.
ROCHA, G. Revisão crítica do cinema brasileiro. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.