O SINTOMA "LIMITE"

Autores

  • Pedro Hussak van Velthen Ramos UFRRJ

DOI:

https://doi.org/10.13102/ideac.v1i52.11607

Palavras-chave:

Limite, Mário Peixoto, Cinema brasileiro.

Resumo

Trata-se de propor uma leitura inovadora do filme Limite (1931) que é considerado um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro. A grande fortuna crítica formada em torno do filme normalmente ressalta o caráter metafísico de suas preocupações: o “limite” de que fala o título seria o destino trágico do ser humano de estar preso ao tempo e dele não poder escapar. A leitura proposta aqui busca afastar-se dessa dimensão metafísica, ao mobilizar o conceito de sintoma, usado pela teoria contemporânea da imagem francesa, a fim de pensar não o que as imagens mostram, mas o que elas não mostram. Assim, busca-se fazer uma referência ao fato de que a cidade de Mangaratiba, onde o filme foi filmado, recebia no século XIX desembarques de navios negreiros, promovidos pela família do diretor de Limite, a família Breves. Assim, o tema do tempo será abordado a partir de 3 camadas temporais que sobrepõem: a suspensão temporal, que indica a intenção estética de criar um espaço-tempo indeterminado; o tempo histórico, que vai tentar encontrar elementos que denunciem o fato de que ele foi filmado na cidade de Mangaratiba em 1930 e finalmente o tempo ancestral que se refere à memória da escravidão que permanece como um elemento invisível no filme.

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Publicado

2025-11-24