Jorge Amado: muito traduzido, pouco retraduzido: da inserção à sobrevivência da obra amadiana nos sistemas literários de língua inglesa
DOI:
https://doi.org/10.13102/sitientibus.v3i65.11484Resumo
Apesar de milenar, a prática cultural da retradução de literatura em épocas diferentes tem sido foco de atenção teórica há pouco mais de trinta anos, seja pelos Estudos Literários ou da Tradução. No contexto dos sistemas literários anglófonos, as práticas de re-reescrita literária (ou de retradução) que se concentram em obras literárias latino-americanas constitui-se em um “verniz” mercadológico para certa “sobrevivência” editorial das mesmas. Jorge Amado possui 17 títulos traduzidos para a língua inglesa, dos quais apenas um foi retraduzido, sobretudo no século XXI, o proclamado “século da retradução” (Collombat, 2004). Este artigo discute o lugar de Jorge Amado na(s) literatura(s) latino-americana(s) traduzida(s), em seu percurso histórico, ao mesmo tempo em que questiona os motivos de o autor não figurar entre os mais retraduzidos. Para tal discussão, apresentamos um quadro atualizado de obras amadianas em tradução para a língua inglesa e, em seguida, teorizamos os pressupostos basilares da prática de retradução. Por último, apresentaremos um quadro de obras retraduzidas de Literatura Brasileira nestas primeiras décadas do século XXI, para discutirmos fatores que nos direcionem a uma resposta sobre Jorge Amado ser muito traduzido, mas pouco retraduzido para a língua inglesa.
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