Verminoses segundo a percepção de profissionais e usuários de centros de saúde de Planaltina, Distrito Federal, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.13102/scb8090Resumo
Entre as infecções parasitárias mais freqüentes em humanos estão as verminoses. Estudar a percepção, atitudes e conhecimentos da população em relação aos vermes é fundamental para o desenvolvimento de programas de prevenção. O objetivo deste estudo foi registrar como os profissionais e usuários de centros de saúde de Planaltina-DF percebem as verminoses ascaridíase, teníase, esquistossomose e enterobíase. Entre julho e agosto de 2007 foram entrevistados 18 profissionais (Pr: auxiliares em enfermagem, enfermeiros, agentes de saúde) e 30 usuários (Us: moradores de Planaltina-DF) usando testes projetivos e entrevistas semi-estruturadas. Para a maioria dos entrevistados vermes são parasitos do homem que causam doenças, não fazendo referência a grupos de animais vermiformes. Entre os usuários, protozoários (Giardia, ameba) foram citados como vermes. Ascaris lumbricoides (Pr: 78%; Us: 70%) e Taenia sp. (Pr: 89%; Us: 53%) foram os vermes mais conhecidos. Nenhum dos usuários soube identificar Enterobius vermicularis. Como esperado, as formas de transmissão e prevenção das verminoses foram mais conhecidas pelos profissionais. Os entrevistados conheciam bem os sintomas e as formas de tratamento das verminoses, entretanto, poucos sabiam detalhes do ciclo biológico dos vermes. Remédios comerciais e caseiros foram citados como formas de tratamento. Esses resultados sugerem que há a necessidade de realização de campanhas de educação sanitária focando verminoses em centros de saúde do DF.
Downloads
Referências
Almeida SM, AG Franchin & O Marçal Junior. 2006. Estudo etonoornitológico no distrito rural de Florestina, município de Araguari, região do Triângulo Mineiro, Minas Gerais. Sitientibus Série ciências biológicas 6(2): 26-36.
Araújo BS, JF dos Santos, AS Oliveiras & T da S Neiva. 2007. Análise comparativa dos índices de parasitoses intestinais, avaliada em duas etapas diferentes, no povoado de Matinha dos Pretos, Feira de Santana, Bahia, Brasil. Sitientibus Série Ciências Biológicas 7(1): 10-14.
Assenso LC, WG Santos & R Gurgel-Gonçalves. 2007. O que é um parasito para você? Estudo etnobiológico do termo parasito entre estudantes de ensino fundamental, médio e superior. In: Congresso Brasileiro De Zoologia, 27, 2008, Curitiba. Resumos... Curitiba: SBZ, 2008.
Begossi A, HF Leitão Filho & PJ Richerson. 1993. Plant uses in a brasilian cosastal fishing community. Journal of Ethonobiology 13(2): 233-256.
Brusca RC & G Brusca. 2007. Invertebrados. 2a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
Camurça-Vasconcelos ALF, SM Morais, LFL Santos, MFG Rocha & CML Bevilaqua. 2005. Validação de plantas medicinais com atividade anti-helmíntica. Revista Brasileira de Plantas Medicinais 7(3): 97-106.
Coutinho DF, LMA Travassos & FMM Amaral. 2007. Estudo etnobotânico de plantas medicinais utilizadas em comunidades indígenas no estado do Maranhão, Brasil. Visão Acadêmica 3(1): 7-12.
Costa Neto EM. 2004. Os insetos que “ofendem”: artropodoses na visão dos moradores da região da Serra da Jibóia, Bahia, Brasil. Sitientibus Série ciências biológicas 4(1/2): 59-68.
Costa Neto EM, APA Lago, CC Martins & PB Junior. 2005. O “louva-a-deus-de-cobra”, Phibalosoma sp. (Insecta, Phasmida), segundo a percepção dos moradores de Pedra Branca, Santa Terezinha, Bahia, Brasil. Sitientibus Série Ciências Biológicas 5(1): 33-38.
Gadano A, AGurni, P López, G Ferraro & M Carballo. 2002. In vitro genotoxic evaluation of the medicinal plant Chenopodium ambrosioides L. Journal of Ethnopharmacology 81(1): 11-6.
Gurgel-Gonçalves R, TTC Minuzzi-Souza, EM Costa Neto & CAC Cuba. 2007. O que é um parasito? Uma análise etimológica e semântica do termo parasito em diferentes idiomas. Acta Scientiarum Human Social Sciences 29(2): 151-161.
Katz N & SV Peixoto. 2000. Análise crítica da estimativa do número de portadores de Esquistossomose mansônica no Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 33(3): 303-308.
Levy FM, PE de S Matos & NE Tomita. 2004. Programa de agentes comunitários de saúde: a percepção de usuários e trabalhadores da saúde. Cadernos de Saúde Pública 20(1): 197-203.
Manso MEG. 2004. A Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e o principialismo bioético. Jus Navigandi 8(457): 7.
Marques JGW. 2001. Pescando pescadores: ciência e etnociência em uma perspectiva ecológica. São Paulo: NUPAUB/USP.
Matos FJA. 1994. Farmácias vivas. Fortaleza: EUFC.
Mello DA, S Pripas, M Fucci, MC Santoro & ES Pedrazzani. 1998. Helmintoses intestinais I, Conhecimentos, atitudes e percepção da população. Revista de Saúde Pública 22(2): 140-149.
Neves DP. 2005. Parasitologia humana. 11ª ed. São Paulo: Atheneu.
Noronha CV, ML Barreto, TM Silva & Im Souza. 1995. Uma concepção popular sobre a esquistossomose mansônica: os modos de transmissão e prevenção na perspectiva de gênero. Cadernos de Saúde Pública 11(1): 106-117.
Nunes ALB de P, AM de O Cunha & O Marçal Junior. 2006. Coletores de lixo e enteroparitoses: o papel das representações sociais e suas atitudes preventivas. Ciência e Educação 12(1): 25-38.
Oliveira FM, STC Costa & FSM Bezerra. 2001. Incidência de enteroparasitoses na zona rural do Município de Parnaíba, Piauí. Revista Brasileira de Análises Clínicas 33(1):45-48
Pinto E de PP, MC de M Amorozo & A Furlan. 2006. Conhecimento popular sobre plantas medicinais em comunidades rurais de mata atlântica - Itacaré, BA, Brasil. Acta Botanica Brasilica 20 (4): 751-762.
Posey. D.A. 1986. Etnobiologia: teoria e prática, p. 15-25. In: D Ribeiro (ed.). Suma etnológica brasileira: etnobiologia. Petrópolis: Vozes/Finep.
Rey L. 2002. Bases da parasitologia médica. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
Santos G dos S, CL Massara & G de S Morais. 1990. Conhecimento sobre helmintoses intestinais de crianças de uma escola de Minas Gerais. Ciência e cultura 42(2): 1888-194.
Santos-Fita D & EM Costa Neto. 2007. As interações entre os seres humanos e os animais: a contribuição da etnozoologia. Biotemas 20(4): 99-110.
Sardenberg TS, S Müller, HR Pereira, RA de Oliveira & WS Hossne. 1999. Análise dos aspectos éticos da pesquisa em seres humanos contidos nas Instruções aos Autores de 139 revistas científicas brasileiras. Revista da Associação Médica Brasilileira 45(4): 295-302.
Schall VT, P Jurberg, B Rosemberg & MC Vasconcelos. 1986. Ciranda da saúde: um material complementar para o ensino de ciências no 1º grau. Ciência e cultura 39(7): 165.
Seduh. 2004. Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Distrito Federal. Informe demográfico. Aspectos da população e situação dos domicílios no Distrito Federal. RA VI Planaltina. Brasília: SEDUH.
Souza CD de & JM Felfili. 2006. Uso de plantas medicinais na região de Alto Paraíso de Goiás, GO, Brasil. Acta Botanica Brasílica 20(1):135-142.
Souza JH. 2007. Os aracnídeos (Arachinidae: aranaea, Scorpiones) na comunidade quilombola de Mesquita, Goiás: um estudo de caso sobre etnobiologia. Universidade de Brasília, Brasília, MSc diss.
Sturtevant WC. 1964. Studies in ethnoscience. American Anthropologist 66(2): 99-131.
Sucam, 1973. Superintendência de Campanhas de Saúde Pública. Campanhas contra Ancilostomose e Esquistossomose. Brasilia: SUCAM.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).