Utilização de cactáceas por sertanejos baianos. Tipos conexivos para definir categorias utilitárias

Autores

  • Cássia Tatiana da S. Andrade Lab. de Etnobiologia, Depto. de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Feira de Santana, Km 03, BR 116, Campus Universitário, 44031-460, Feira de Santana, Bahia, Brasil.
  • José Geraldo W. Marques Lab. de Etnobiologia, Depto. de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Feira de Santana, Km 03, BR 116, Campus Universitário, 44031-460, Feira de Santana, Bahia, Brasil.
  • Daniela C. Zappi Herbarium, RBG, Kew, TWP 3 AE, Richmond, Surrey, England.

DOI:

https://doi.org/10.13102/scb8142

Resumo

Dentre as conexões seres humanos/vegetal no Semi-árido, destaca-se a conexão de múltiplo uso com cactáceas, incluindo-as como recursos alimentares, medicinais, ornamentais etc. Não existindo conhecimento abrangente que esteja sinteticamente sistematizado, este trabalho teve por objetivo avaliar criticamente a literatura disponível, com base em um estudo etnobotânico de campo realizado em cinco municípios do Semi-árido baiano: Valente, Queimadas, Santaluz, São Domingos e Canudos. Foram feitas entrevistas informais e semi-estruturadas com 32 moradores locais. Seus depoimentos foram registrados em fitas magnéticas e transcritos verbatim. A amostra foi definida a partir de encontros ad libitum que permitiram um acréscimo por progressão em bola de neve e a amostragem foi considerada suficiente com base no efeito de uma inclusão progressiva que permitiu aplicar o critério de exaustividade. O material botânico foi herborizado in loco, identificado por especialista e depositado no herbário HUEFS. Foram identificadas taxonomicamente dez espécies, as quais, segundo os informantes, têm utilização local: Cereus jamacaru DC., Harrisia adscendens (Guerke) Britton & Rose, Melocactus salvadorensis Werdermann, Nopalea cochenillifera (L.) Salm-Dyck, Opuntia dillenii (Ker-Gawler) Haworth, Opuntia ficus-indica (L.) Miller, Opuntia palmadora Britton & Rose, Pilosocereus catingicola (Guerke) Byles & Rowley, Pilosocereus gounellei (Weber) Byles & Rowley, Pilosocereus tuberculatus (Werdermann) Byles & Rowley. A análise das diversas utilizações permitiu enquadrá-las em oito dos tipos conexivos propostos por Marques: lúdico, médico, místico, econômico, estético, doméstico, erótico e trófico. As conexões do tipo médico e trófico são enquadráveis nos subtipos direto e indireto. As categorias de uso que incluíram o maior número de espécies identificadas foram as correspondentes aos tipos conexivos trófico indireto (n= 10) e direto (n= 6) e médico direto (n= 7). Foram detectadas tanto conexões com status de permanência forte (e.g., feitura de cercas vivas - conexão do tipo doméstico; ornamentação - conexão do tipo estético; comercialização - conexão do tipo econômico; “simpatia” - conexão do tipo místico; preparo de remédios – conexão do tipo médico) quanto com status de residuárias fracas (e.g., a conexão do tipo doméstico para feitura de portas, janelas, ripas e caibros). Embora alguns dados obtidos estejam de acordo com o já relatado na literatura, muitos deles são originais, o que abre novas perspectivas para uma avaliação adaptativa das populações rurais do Semi-árido.

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Publicado

2006-03-31

Como Citar

Andrade, C. T. da S., Marques, J. G. W., & Zappi, D. C. (2006). Utilização de cactáceas por sertanejos baianos. Tipos conexivos para definir categorias utilitárias. SITIENTIBUS Série Ciências Biológicas, 6(Especial), 3–12. https://doi.org/10.13102/scb8142

Edição

Seção

Artigos