Quando a oralidade chega à escrita: discutindo os desvios ortográficos em textos do Ensino Fundamental II de Uberaba/MG

Marcus Garcia de Sene, Juliana Bertucci Barbosa

Resumo


Este artigo tem como objetivo investigar os desvios ortográficos que são, em sua maioria, reflexos de processos linguísticos variáveis que são transpostos para o texto escrito dos alunos de 6º ano do Ensino Fundamental II de duas escolas públicas de Uberaba/MG. Para isso, elaboramos e aplicamos uma proposta de redação destinada ao público-alvo, mais especificamente os alunos foram convidados a produzirem uma narração. Para identificação e análise dos desvios de escrita, utilizamos duas categorias propostas por Bortoni-Ricardo (2005): Tipo 1 - desvios decorrentes da própria natureza arbitrária do sistema de convenções da escrita e Tipo 2 - desvios decorrentes da interferência da oralidade na escrita. Dentre das ocorrências encontradas no grupo (II), verificamos quais os fenômenos fonético-fonológicos são mais recorrentes. Por meio deste trabalho, buscamos ressaltar a importância das teorias linguísticas e, principalmente, dos pressupostos sociolinguísticos como respaldo ao professor no ensino de língua materna. Evidenciamos, também, que mesmo em séries avançadas, os alunos necessitam de auxílio em relação ao processo de aquisição da escrita e em como compreender satisfatoriamente o que ele escreve. A partir do reconhecimento da natureza desses desvios ortográficos, o professor pode propor atividades mais produtivas.


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DOI: http://dx.doi.org/10.13102/cl.v19i3.4340

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