Escrita-ebó: caminhos abertos para uma literatura negra-feminina
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v26i1.11940Palavras-chave:
Autoria feminina negra, FilologiaResumo
A escrita-ebó é aquela que oferece uma dicção afrocentrada a um mercado editorial pouco receptivo à época e que, assim, abre caminhos para uma literatura de autoria negra-feminina a partir da década de setenta. A partir de um mapeamento de escritoras negras na Bahia, entre as décadas de 1970 e 1990 foi possível trazer à baila o projeto estético-político da escritora Aline França, dentre outras escritoras que compõem esse cenário que denomino escrita-ebó. Neste artigo, proponho uma leitura crítico-filológica do primeiro livro solo da referida escritora: Negão Dony, a fim de inscrevê-la como uma das faces dessa escrita que abre caminhos para que as escritoras negras contemporâneas produzam subjetividades – a partir da busca de uma ancestralidade – que remontam lugares de África antes da diáspora, antes dos sequestros e dos horrores causados pela escravidão. Pretendo, com isso, redimensionar a voz de Aline França na dicção pouco diversa que caracteriza a literatura brasileira da segunda metade do século XX e viabilizar a emergência de vozes que, devido ao fechamento do mercado editorial e de grande parte da rota literária, tiveram suas imagens esmaecidas no cenário literário e, consequentemente, não compuseram a historiografia literária brasileira durante um longo período. Nesse contexto, a narrativa-poética de Aline França entoa uma contra-voz a falas (Evaristo, 2005) que constroem a historiografia literária brasileira e impõe fraturas a este cenário, arrobando as portas deste clube privê (Alves, 2010).
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