Relações translíngue entre o espanhol e o mapudungun na paisagem linguística do estallido social chileno (2019-2020)

Auteurs

  • Priscila da Silva Marinho UFRJ

DOI :

https://doi.org/10.13102/cl.v26i1.12205

Mots-clés :

paisagem linguística, análise de discurso, translinguagem, estallido social, mapuche

Résumé

O propósito do presente artigo é levantar questionamentos, a partir da glotopolítica, ao se tematizar as relações tensivas que se estabelecem entre a língua nacional e as línguas minorizadas, no bojo do processo histórico de consolidação dos Estados-Nações (ANDERSON, 2008), salientando, nesta problemática, o atravessamento de práticas translíngues e gestos contrapedagógicos. Para tanto, partindo da noção de paisagem linguística (LAUNDRY & BOURHIS, 1997) analisaremos trânsitos linguísticos entre o espanhol, como língua nacional, e o mapudungun (língua mapuche), como língua minorizada, deflagrados à época do estallido social chileno (2019-2020) em Santiago. Nosso quadro teórico-metodológico está alicerçado a partir da análise de discurso de extração pecheutiana. Neste sentido, nossa problemática materializa-se a partir da seguinte pergunta: de que maneira o estallido social impacta na paisagem linguística chilena? Em linhas gerais, nossa análise reforça que a situação de contato entre o espanhol e o mapudungun apreendida na paisagem linguística relativa ao estallido social coloca em evidência uma dinâmica inerentemente fluida que, enquanto gesto contra-hegemônico, enseja a propagação de novas políticas linguísticas, convidando a mudanças no status quo concernentes às históricas relações conflituosas estabelecidas entre o Estado chileno e os Mapuche.

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Publiée

2026-03-08

Comment citer

da Silva Marinho, P. (2026). Relações translíngue entre o espanhol e o mapudungun na paisagem linguística do estallido social chileno (2019-2020). A Cor Das Letras, 26(1). https://doi.org/10.13102/cl.v26i1.12205