O uso do futuro em Helvécia e em Cinzento: um estudo do português rural afro-brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.13102/cl.v18i2.1913Resumo
O artigo apresenta os resultados de um estudo variacionista das formas variantes da expressão de futuro em duas comunidades negras, focalizando a análise na forma perifrástica e na forma do presente (com ou sem advérbio), do sistema verbal do português rural afro-brasileiro. Para isso, foram analisadas amostras de fala (que exprimem futuridade) dos moradores de Helvécia e de Cinzento, comunidades de fala rurais, pertencentes, respectivamente, aos municípios de Nova Viçosa e de Planalto/BA. Nestes dialetos, observa-se o uso das construções perifrásticas, seguido do uso do presente para expressar o evento futuro (respectivamente, eu vou trabalhar amanhã e eu trabalho amanhã), além de outras estratégias, em detrimento da forma flexionada simples (eu trabalharei amanhã). As variações foram observadas por meio de um recorte sincrônico, tendo sido adotada a metodologia de análise linguística do modelo laboviano da Sociolinguística Quantitativa (1972, 1982, 1994). Quanto à variação entre perífrase e presente, os três principais fatores selecionados pelo programa VARBRUL, como mais significativos, foram os tipos semântico e sintático do verbo e o tipo de oração. Além disso, verificou-se que a perífrase é a variante default por ser encontrada com mais frequência nos corpora. É a estratégia observada na grande maioria dos contextos apresentados nos grupos de fatores selecionados, embora a diferença para o presente não seja muito distante. Acrescentou-se à análise o fator idade, relevante para entender a questão da “Transmissão Linguística Irregular”, revelando que a perífrase é empregada pelos mais jovens, enquanto os mais velhos preferem o presente.
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