Alomorfia de plural no português de Salvador: uma análise preliminar de dados do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB)

Autores

  • Josane Moreira de Oliveira Universidade Estadual de Feira de Santana / Universidade Federal da Bahia http://orcid.org/0000-0002-9661-1804
  • Jadione Cordeiro de Almeida Universidade Federal da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v22iEsp..7525

Palavras-chave:

Plural, Alomorfia

Resumo

Levando em consideração o fato de que há uma oscilação na escolha de que morfe deve-se utilizar para a sinalização do plural no português brasileiro, bem como ainda existem as estratégias do uso parcial ou da ausência dessa marcação pelos falantes em contextos linguísticos e sociais variados, neste artigo, busca-se compreender como se estabelece o plural no português de Salvador a partir da interface entre os níveis morfológico, fonológico e fonético, através de uma análise com base teórico-metodológica da Sociolinguística (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006 [1968]). Para este trabalho preliminar, faz-se uso apenas da abordagem qualitativa de percentuais de ocorrência de alomorfia de plural. Para isso, foi necessária a audição de entrevistas de oito informantes de Salvador realizadas entre 2003 e 2007, fornecidas pelo Atlas linguístico do Brasil (CARDOSO et al., 2014). Como recorte, foram consideradas apenas as treze lexias com possibilidade de ocorrências alomórficas de número encontradas no Questionário Fonético-Fonológico (QFF, questão 76: reais) e no Questionário Morfossintático (QMS, seção “número”: anéis, aventais, pães, mãos, leões, degraus, chapéus, anzóis, olhos, ovos, pincéis, bolsos (COMITÊ NACIONAL, 2001). Os resultados indicam que: i) pessoas pouco escolarizadas, com idade entre 50 e 65 anos e mulheres (por hipercorreção, neste caso) realizam mais o plural irregular; ii) a equivalência de sons finais das palavras (como -L > -U, por exemplo), a partir da vocalização do /l/, provoca a realização de alguns plurais irregulares; iii) entre os tipos de plural, o metafônico, por ser uma estratégia que exigiria uma tripla marcação (sintática, fonética e morfológica), está sujeito naturalmente à redução dessa marcação a apenas um ou dois desses níveis; iv) determinadas lexias, talvez por serem pouco usadas no cotidiano ou pela pouca saliência fônica, favorecem o plural irregular ou a sua não marcação.

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Biografia do Autor

Josane Moreira de Oliveira, Universidade Estadual de Feira de Santana / Universidade Federal da Bahia

Departamento de Letras e Artes, Área de Linguística

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Publicado

2021-10-18

Como Citar

Moreira de Oliveira, J., & Almeida, J. C. de . (2021). Alomorfia de plural no português de Salvador: uma análise preliminar de dados do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB). A Cor Das Letras, 22(Esp.), 38–55. https://doi.org/10.13102/cl.v22iEsp.7525